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Rogério Nery, CEO do Grupo Integração
Rogério Nery, CEO do Grupo Integração (Imagem: Divulgação)

O Grupo Integração, afiliado da Globo em Minas Gerais, está criando um braço de investimentos para apoiar empresas da região. A iniciativa vai operar no modelo de media for equity e já fechou sua primeira operação com a agtech Sapiens Agro, de Uberlândia.

A startup especializada em inteligência de mercado para o agronegócio recebeu um valuation de R$ 40 milhões, com o acordo estruturado sem aporte financeiro direto. No lugar disso, o grupo de comunicação adquire participação societária na empresa por meio da oferta de ativos de mídia, conteúdo, dados e estratégias de comunicação voltadas à aceleração do negócio.

A Sapiens Agro desenvolve modelos matemáticos para acompanhar os fundamentos que influenciam a formação dos preços das commodities agrícolas. A tecnologia permite prever tendências de mercado e apoiar decisões de comercialização. A empresa também realiza análises dos preços dos fretes rodoviários de commodities e utiliza modelos preditivos para acompanhar essa variável.

Anunciada nesta semana, a Integração Ventures nasce com a proposta de transformar a estrutura de comunicação do Grupo Integração em uma plataforma de crescimento para empresas em estágio de expansão. A tese mira empresas que já possuem produto validado, operação consolidada e potencial de escala, mas que precisam fortalecer marca, ampliar alcance e acelerar a geração de demanda.

Segundo Rogério Nery, CEO do Grupo Integração, a iniciativa é uma evolução natural da trajetória da companhia. “Há 62 anos, o Grupo Integração acompanha o desenvolvimento de Minas Gerais a partir de uma presença local, próxima e confiável. A Integração Ventures é um passo natural dessa trajetória”, afirma ele, em comunicado enviado à imprensa.

Segundo Duva (cujo nome completo é Thiago Zacarias do Valle), head da Integração Ventures, o Grupo Integração decidiu transformar sua audiência, credibilidade, capacidade de distribuição e presença regional em um ativo estratégico para acelerar negócios. “Somos uma janela de Minas para o mundo e do mundo para Minas”, aponta ele, em entrevista ao Startups.

Reputação em troca de equity

No modelo de media for equity, empresas cedem uma parcela de participação acionária em troca de um plano estruturado de mídia e comunicação. “Não estamos falando apenas de veiculação de mídia. Estamos falando de transformar alcance, credibilidade e inteligência de comunicação em crescimento mensurável para a empresa investida”, diz Duva.

Ainda de acordo com o executivo, a escolha pelo modelo ocorreu porque o grupo acredita que a mídia pode ir além da publicidade tradicional. A proposta é utilizar ativos como conteúdo, reputação, relacionamento com o mercado e distribuição para acelerar a aquisição de clientes, fortalecer marcas e gerar novas oportunidades comerciais para as investidas.

A operação prevê monitoramento contínuo de indicadores de desempenho e ajustes de estratégia ao longo da parceria, conectando mídia tradicional, canais digitais e inteligência de mercado.

Segundo Maurício Lemos, sócio-administrador da Sapiens Agro, a empresa optou pelo modelo de media for equity porque já superou a fase de desenvolvimento de produto e agora busca ampliar a escala de suas operações.

“O momento da empresa não é o de criação de um produto ou serviço, mas de escalar as soluções e plataformas criadas. Enxergamos a oportunidade de, através do Grupo Integração, comunicarmos adequadamente e para públicos específicos os resultados e benefícios do uso dos nossos serviços”, comenta ele ao Startups.

De acordo com o executivo, a companhia chegou a avaliar outras alternativas de captação antes de fechar o acordo. A decisão pelo media for equity, porém, foi influenciada pela possibilidade de receber, além do investimento, a expertise do parceiro em um ativo considerado estratégico para o estágio atual da empresa: o acesso a mercados qualificados.

“Pesou o fato de o investidor aportar uma expertise especializada em um ativo relevante para a empresa em fase de escala”, explica. Conforme o profissional, a reputação e presença regional do Grupo Integração também foram fatores determinantes para a escolha da parceria.

Na prática, o pacote de mídia será executado por meio de um plano formal de comunicação, com objetivos, público-alvo, inserções e métricas definidas contratualmente.

Com a primeira operação concluída, a Integração Ventures passa a buscar novas empresas interessadas no modelo de media for equity. O foco está em negócios que já possuam clientes, capacidade operacional e potencial de crescimento, mas que vejam na mídia um caminho para ampliar notoriedade, fortalecer reputação e acelerar vendas.

Apesar de priorizar empresas de Minas Gerais, especialmente aquelas com conexão com a área de cobertura da TV Integração, a casa diz que poderá avaliar oportunidades em outras regiões do país. “O ponto central para nós é menos a geografia isoladamente e mais o fit com o modelo”, complementa Duva.

A tese também não está restrita a startups de tecnologia. Segundo o executivo, a Integração Ventures pretende analisar empresas tradicionais, digitais, B2B, B2B2C e B2C, desde que possuam produto validado, mercado definido e potencial de crescimento. O principal critério é identificar se os ativos de mídia, conteúdo, credibilidade e distribuição do grupo podem acelerar de forma concreta a geração de clientes, vendas, confiança e expansão de mercado.

Ainda de acordo com Mauricio, a parceria deve ajudar a ampliar a presença da empresa nas regiões atendidas pelo Grupo Integração. Embora a Sapiens já atue nacionalmente, o plano de mídia será direcionado à área de cobertura da emissora, com foco em produtores rurais, comercializadores de grãos, instituições financeiras, transportadoras, indústrias e exportadores.

O post Grupo Integração estreia no media for equity e já tem 1ª investida apareceu primeiro em Startups.