
A Revolut Brasil anunciou nesta quinta-feira (11), no palco do Web Summit Rio 2026, a criação de um conselho consultivo independente no Brasil como parte do fortalecimento de sua estrutura de governança corporativa no país. Como figura central deste conselho, está o economista Paulo Guedes, que foi ministro da Economia durante o governo Jair Bolsonaro.
Também integram o novo conselho os executivos Luiz Lobo e Ana Novaes, profissionais com histórico profissional em regulação, mercado financeiro, gestão de riscos e governança corporativa. Luis já teve passagens pelo Banco Pan, e Ana Novaes já foi conselheira do B3.
“A chegada de Paulo Guedes, Luiz Lobo e Ana Novaes fortalece significativamente nossas capacidades institucionais e agrega experiências altamente complementares, que serão extremamente relevantes para a próxima fase de crescimento da Revolut no país”, complementou Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil, em nota.
No palco do Web Summit, Glauber complementou que o novo conselho é um pilar adicional de governança, se somando aos de produto e compliance para sustentar o crescimento da Revolut no longo prazo.
“Para nós agora foi importante montar esse board para supervisionar, criar salvaguardas para que nosso ritmo de inovação esteja em linha com o que o mercado brasileiro exige e que garanta o crescimento da Revolut no Brasil por muito tempo”, destacou o CEO no palco do Web Summit.
Cutucada no Nubank?
Pode ser apenas uma coincidência, mas o anúncio da Revolut lembra uma manobra semelhante realizada no ano passado por um de seus principais concorrentes na arena dos neobancos. Em maio de 2025, o Nubank trouxe o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ao seu conselho.
Agora, a Revolut responde trazendo justamente Paulo Guedes, que foi chefe de Campos Neto durante o governo Bolsonaro. E a cutucada não é a toa: apesar de ainda não ter chegado nos mais de 100 milhões de usuários no Brasil como o Nubank, a empresa tem investido pesado para crescer.
Apesar de não abrir números, Glauber afirma que o Brasil está entre os três mercados de maior crescimento da fintech britânica no mundo, operando no país desde 2023 com uma licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD).
IPO no horizonte
Na briga com o Nubank pelo posto de neobanco mais valioso do mundo, a Revolut não esconde a ambição e trabalha com a meta de alcançar um valuation de até US$ 200 bilhões em seu futuro IPO. “Estou entusiasmado em contribuir para o fortalecimento institucional e a expansão sustentável da empresa”, afirmou o ex-ministro da Economia em comunicado à imprensa.
O anúncio ocorre poucos meses após o fundador e CEO da Revolut, Nik Storonsky, afirmar, durante o programa The David Rubenstein Show: Peer to Peer Conversations, em abril deste ano, que a companhia adiou seus planos de IPO para depois de 2028.
A decisão de deixar o IPO para depois de 2028 marca uma mudança de ritmo na estratégia da Revolut. Após obter sua licença bancária completa no Reino Unido, a empresa passou a priorizar a consolidação de sua reputação como banco global antes de buscar o mercado público. Nik Storonsky já destacou publicamente que a credibilidade institucional e a maturidade como banco são fundamentais antes de dar o passo em direção à bolsa.
Enquanto a abertura de capital não acontece, a empresa vem utilizando ofertas secundárias de ações para proporcionar liquidez a investidores e funcionários. Uma das operações mais recentes foi estruturada para movimentar pelo menos US$ 750 milhões, elevando a avaliação privada da fintech para cerca de US$ 115 bilhões.
Outro ponto que permanece definido é o destino preferencial do IPO. Embora tenha origem britânica, a Revolut continua considerando as bolsas de Nova York, como Nasdaq e NYSE, como principais candidatas para receber sua oferta pública inicial, citando a maior liquidez do mercado americano e o ambiente mais favorável para empresas de tecnologia.
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