
Os primeiros investidores da Manus planejam recomprar a startup de agentes de inteligência artificial da Meta pelos mesmos US$ 2 bilhões pagos na aquisição. A informação foi publicada nesta quinta-feira (18) pelo The Information, com base em duas fontes com conhecimento direto do assunto.
A recompra é o desdobramento mais recente de um processo que começou em dezembro de 2025, quando a Meta anunciou a compra da Manus, startup de agentes de IA criada na China e com sede em Singapura.
Em abril de 2026, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) determinou a anulação do negócio entre Manus e Meta e vetou o investimento estrangeiro na empresa, no contexto do endurecimento de Pequim contra aquisições que possam transferir talentos e propriedade intelectual em IA para mãos norte-americanas.
A startup, no entanto, cresceu de forma expressiva no período. Sua taxa de receita anualizada saltou para entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões nas últimas semanas, ante US$ 100 milhões no momento da aquisição.
Quem bancará a recompra
Entre os investidores que participarão da operação estão HSG, ZhenFund e Tencent, todos acionistas originais da Manus. O HSG e ZhenFund estudam usar capital novo para adquirir a posição da Meta na startup. Já a Benchmark, que liderou uma rodada de US$ 75 milhões em maio de 2025, não participará do processo.
Desde a ordem de Pequim, a Meta executou uma separação operacional interna da Manus e interrompeu o compartilhamento de dados entre as duas empresas, conforme reportou a Bloomberg na semana passada.
O que irritou Pequim
A Manus é controlada pela Butterfly Effect e tinha operações baseadas na China até julho de 2025, quando fechou seus escritórios no país e transferiu as operações para Singapura.
A mudança foi interpretada pelo governo chinês como uma tentativa de contornar restrições regulatórias dos dois lados: as limitações norte-americanas ao investimento em empresas de IA com vínculos chineses e as regras de Pequim sobre transferência de propriedade intelectual ao exterior.
Em março de 2026, os cofundadores da Manus — o CEO, Xiao Hong, e o cientista-chefe Ji Yichao — foram convocados para reuniões com reguladores em Pequim e tiveram a saída do país proibida, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters.
O Financial Times chegou a divulgar um documento em que a China classificava a compra pela Meta como uma ação “conspiratória”, com o objetivo de reduzir o poder tecnológico chinês.
Próximos passos
Paralelamente à recompra, a Manus estuda reformular sua estrutura societária para se tornar uma joint venture com sede na China, o que abriria caminho para uma listagem na bolsa de Hong Kong, de acordo com o The Information.
Especialistas destacam que o caso da Manus evidencia como a corrida pela liderança em IA vai além do desenvolvimento de chips e modelos avançados. A disputa envolve também o controle de talentos e propriedade intelectual, enquanto decisões geopolíticas passaram a interferir diretamente em transações que, em outro momento, seriam vistas apenas sob a ótica dos negócios.
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