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Victor Fazzio (CEO) e Rafael Souza (CTO), da Hubble | Foto: divulgação
Victor Fazzio (CEO) e Rafael Souza (CTO), da Hubble | Foto: divulgação

Depois de testar diversos sistemas de recrutamento e não ter sucesso na busca da solução ideal, o Grupo Hub parou de procurar. A consultoria de RH, com mais de uma década de mercado e com grandes clientes na sua base, decidiu transformar uma dor interna em produto. A partir disso, ela “spin-offou” a Hubble, startup nascida com a proposta de usar inteligência artificial como apoio ao recrutador, sem tirar dele a decisão.

Lançada oficialmente há dois meses, a Hubble surgiu da necessidade do Grupo Hub de acompanhar o aumento de escala dos seus serviços de recrutamento, que não foi atendida pelas soluções existentes. Segundo Victor Fazzio, sócio do grupo desde 2014 e agora CEO da HRTech, foram seis ou sete anos de tentativas, com ferramentas de fora do país e parceiros nacionais, e em nenhuma encontraram a customização e a qualidade exigidas.

“A gente não tinha absolutamente nenhum sistema que atendesse o nosso serviço”, resume Victor. O problema era simples em sua definição, mas não tão fácil na execução: colocar candidatos num pipeline e mostrar ao cliente, de forma visual, o andamento do processo, sem depender de planilha. “Faltava velocidade em algumas etapas, faltava análise mais profunda em outras, e nenhum software pronto entregava as duas coisas”, completa.

A solução foi construir uma plataforma própria. Com essa decisão, o Grupo Hub investiu R$ 2 milhões para desenvolver o Hubble, uma plataforma focada na parte de recrutamento, com inteligência artificial no core para tornar os processos mais ágeis e transparentes.

A base para o Hubble partiu da própria experiência do grupo como boutique de recrutamento, atendendo poucos clientes com alta recorrência em setores como tecnologia, finanças, marketing, agro, indústria e varejo, de posições de analista sênior a C-level. Na base do Grupo Hub estão nomes como Itaú e iFood, entre outros.

Além do próprio Grupo Hub — o “cliente zero”, segundo destaca Victor — a Stellantis foi um dos clientes que ajudaram a validar a plataforma. A relação começou pela frente de RPO (em que a consultoria aloca recrutadores dentro do cliente) e foi o volume da montadora, com um número de vagas e candidatos alto, que provou o sistema na prática.

“Esse foi um teste sensacional para a gente conseguir validar de fato que estava no caminho certo”, diz o CEO, que cita ainda o PagBank entre os grandes que já rodam a ferramenta.

Planos para crescer

Com a validação feita em clientes de grande porte, veio o plano de levar o Hubble de forma mais ampla ao mercado. O lançamento, há dois meses, fecha um ciclo estratégico maior. Em 2025, o sócio sênior Fernando Guedes mudou-se para os Estados Unidos para liderar a operação internacional, ano em que a consultoria cresceu 33% e faturou R$ 27 milhões.

No Brasil, Fred Torrës assumiu as operações locais e Victor passou a responder por tecnologia e RH. Para acelerar a frente técnica, o grupo trouxe Rafael Souza, ex-diretor de tecnologia da XP, como CTO no início de 2026. Hoje o Hubble já opera apartado da consultoria, com um time próprio de dez pessoas, e projeta alta de 45% no faturamento do grupo neste ano.

Segundo o CTO Rafael Souza, um dos diferenciais do Hubble em relação a outras HRTechs mais conhecidas é que ele “não incluiu IA depois”. Segundo o CTO, a plataforma roda modelos próprios de machine learning, treinados com dados sintéticos, e não depende de um LLM de terceiros para operar. “A IA organiza dados, dá contexto e sugere caminhos com critérios visíveis e ajustáveis, mas a palavra final fica com o recrutador”, pontua.

O alvo são pequenas e médias empresas, espaço que, segundo Victor, players como a Gupy deixaram descoberto ao concentrar o foco nas grandes companhias listadas em bolsa. A porta de entrada é uma plataforma SaaS sem implementação, em que o cliente abre uma vaga em minutos. Os planos vão de R$ 250 (starter) a R$ 800 (premium), com preço sob demanda para enterprises, que varia conforme volume de vagas e usuários.

As metas são ambiciosas. A empresa projeta chegar ao break-even com 250 clientes até o primeiro semestre de 2028. Segundo o CEO, a expectativa é que, em dois anos, o Hubble possa faturar mais que a própria Hub e atender clientes fora da camada de consultoria.

O financiamento, por ora, segue saindo do caixa do grupo, mas a companhia já conversa com investidores externos e o plano é destravar as primeiras rodadas seed ainda neste ano. “A ideia é que o grupo saia um pouco de cena e a Hubble comece a ser mais investida pelo mercado”, finaliza Victor.

O post Para resolver uma dor interna, o Grupo Hub criou uma HRTech em casa apareceu primeiro em Startups.