
A inteligência artificial está não só no portfólio das gestoras de venture capital, mas na própria forma como esses fundos avaliam as oportunidades de investimento. Isso é o que mostra o estudo State of AI Latin America 2026, realizado pela Hi Ventures, que mostra que 91% dos VCs usam IA para analisar deals – percentual que dobrou em relação aos 45% de dois anos atrás.
Segundo o levantamento, que ouviu 54 gestoras da América Latina, 85% utilizam a tecnologia para pesquisa de mercado e inteligência competitiva, 63% para monitoramento e reporte de portfólio, 59% para modelagem financeira e avaliação de empresas, e 52% tanto para comunicações com LPs quanto para revisão de contratos e compliance. Apenas 4% disseram não usar IA além de sourcing e análise de deals.
Claude, da Anthropic, é a ferramenta mais usada entre os VCs ouvidos pelo estudo, presente em 94% das firmas, e ultrapassando o ChatGPT (69%), da OpenAI, e o Gemini, do Google (65%).
“Há três anos, a principal questão em torno da inteligência artificial na América Latina era se a região iria adotá-la. Hoje, essa questão parece estar amplamente resolvida”, observa Jimena Pardo, Managing Partner da Hi Ventures, no texto de apresentação do estudo.
Para ela, os agentes são a próxima fronteira, com potencial de transformar não apenas os produtos, mas também a forma como empresas, instituições e setores inteiros são organizados.
“A América Latina entra nessa transição em uma posição de força. As taxas de adoção de IA na região rivalizam com as de economias muito mais ricas, enquanto seus empreendedores acumulam décadas de experiência construindo negócios em ambientes complexos e com recursos limitados. Acreditamos que essa combinação pode se revelar uma vantagem à medida que surge a próxima geração de empresas nativas em IA”, aponta.
IA no core
Para a maioria dos fundos de venture capital, startups com IA no core do produto passaram a ser prioridade para novos investimentos: 61% dos fundos disseram que mais de 60% dos novos investimentos feitos nos últimos 12 meses tinham IA no centro.
Além disso, 57% dos VCs afirmam que mais de 25% do seu portfólio já está implementando agentes de IA – e 33% dizem que mais da metade das empresas em carteira já opera com agentes.
Entre as startups ouvidas pelo estudo, 99% utilizam IA ao menos internamente, enquanto 74% colocam a tecnologia no centro de sua estratégia de negócios. Além disso, 78% já incorporaram IA ao principal produto da empresa: 59% nasceram como startups nativas em inteligência artificial e outros 19% adicionaram funcionalidades baseadas na tecnologia às suas soluções.
O relatório também aponta que o Claude é utilizado por 83% das startups latino-americanas, superando o ChatGPT, da OpenAI, presente em 66% delas. Entre as ferramentas voltadas para desenvolvimento de software, o Claude Code lidera a adoção, sendo usado por 69% das empresas.
Outro destaque é o avanço dos agentes de IA. Hoje, 72% das startups já utilizam ou estão testando esse tipo de tecnologia, enquanto apenas 9% afirmam não ter planos de adotá-la.
Na avaliação da Hi Ventures, a região vive uma mudança estrutural. Se nos últimos anos a IA era vista principalmente como uma ferramenta para aumentar a produtividade, agora ela passa a fazer parte da arquitetura dos próprios negócios. “A IA deixou de ser um experimento para se tornar uma vantagem competitiva”, afirma o relatório, destacando que empresas da América Latina estão migrando dos projetos-piloto para implantações em larga escala e que a complexidade dos mercados locais pode se transformar em uma vantagem competitiva, ao gerar dados proprietários difíceis de serem replicados por concorrentes globais.
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