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Cibersegurança | Foto: Canva
Cibersegurança | Foto: Canva

A próxima grande crise do sistema financeiro global pode não vir de colapso de crédito, mas de um ataque cibernético. Esse fator foi considerado “um dos maiores riscos não precificados e não refletidos nas avaliações bancárias”, segundo relatório recente assinado pelo analista Kian Abouhossein, do JPMorgan.

O documento alerta que a capacidade de modelos de inteligência artificial de fronteira, como o Mythos e o GPT-5.5, de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas bancários em questão de horas comprime drasticamente a janela de resposta que os bancos têm para corrigir brechas antes de essas falhas serem exploradas pelos criminosos.

Para reduzir esse risco, o JPMorgan propõe medidas como testes mais rigorosos de resistência de infraestrutura, com simulações que avaliem se os sistemas conseguem operar normalmente mesmo sob ataque.

Além disso, o banco sugere incorporar nos testes de estresse um cenário de corrida em massa a saques provocada por um incidente cibernético, algo parecido com o que derrubou o Credit Suisse em 2023, mas acionado não por rumores financeiros, e sim por uma brecha de segurança.

Para o JPMorgan, bancos dos Estados Unidos e da China são vistos como os mais bem posicionados para enfrentar o cenário, graças ao maior volume de gastos com tecnologia e ao acesso mais precoce aos modelos de IA mais avançados. Bancos europeus aparecem em posição mais vulnerável, com orçamentos de tecnologia menores.

Esse desequilíbrio justificaria, segundo o JPMorgan, uma reavaliação de múltiplos. Atualmente, bancos americanos negociam a uma média de 12,5 vezes o lucro projetado para 2028, contra 9 vezes para bancos europeus e 12 vezes para os megabancos japoneses. O banco sugere que esse prêmio pode ser merecido, e que deveria crescer para instituições com bases de depósitos estáveis e excedentes, que teriam maior capacidade de atravessar uma crise de origem cibernética.

Cibersegurança como prioridade no Brasil

Os bancos brasileiros estão atentos a esse cenário. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte e divulgada em 26 de junho, os bancos brasileiros projetam investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia da informação e comunicação (TIC) neste ano, um crescimento de aproximadamente 8% sobre os R$ 46,8 bilhões aplicados em 2025 (alta de 12% sobre 2024).

O dado mais revelador da pesquisa é que cibersegurança atingiu 100% de prioridade entre as instituições ouvidas. Ou seja, nenhum banco participante deixou de apontá-la como área crítica de investimento.

Cloud computing, inteligência artificial, blockchain e computação quântica completam o topo das prioridades tecnológicas do setor. Em IA, o salto foi expressivo: os aportes cresceram 39% em 2025, de R$ 596 milhões para R$ 834 milhões, com projeção de superar R$ 1 bilhão em 2026.

O post Ciberataques são risco maior que crédito para bancos, diz JPMorgan apareceu primeiro em Startups.