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Davi Holanda, fundador e CEO do Jota | Foto: Luciano Alves/divulgação
Davi Holanda, fundador e CEO do Jota | Foto: Luciano Alves/divulgação

Quando conversou com o Startups em março, Davi Holanda, fundador e CEO do Jota, reconheceu que uma Série A era inevitável e que poderia não demorar para sair. Não demorou. A fintech B2B que mistura IA e banco dentro do WhatsApp acaba de captar R$ 150 milhões (US$ 30 milhões) em uma rodada liderada pela Haun Ventures.

Esta é a segunda rodada levantada pela fintech em cerca de um ano, e é o primeiro aporte da Haun Ventures em uma startup brasileira, avaliando o Jota em cerca de US$ 185 milhões. Fundada em 2022 por Katie Haun, ex-procuradora federal nos EUA e primeira sócia mulher da Andreessen Horowitz, a gestora estreou com um fundo de US$ 2 bilhões.

A rodada reúne ainda investidores que já vinham de antes. A HOF Capital (mesmo fundo por trás de nomes como Anthropic, OpenAI, Neuralink e xAI) e a Alter Global, que estão no cap table desde a seed de US$ 8,9 milhões levantada no começo de 2025, fizeram follow-on. Entram também a estreante Greyhound Capital e um grupo de investidores globais.

Com a Série A, o plano é acelerar a infraestrutura de IA e ampliar as funções do assistente, antecipando entregas que já estavam no horizonte de longo prazo. Uma das frentes em estudo é a oferta de crédito em contexto, detectando o instante exato em que o cliente precisa de liquidez.

Segundo Davi Holanda, a injeção de capital marca o início de uma fase chamada Jota 2.0, a maior virada do produto desde a estreia e que, segundo ele, é uma mudança fundamental. Sai um assistente que responde quando perguntado, entra um agente que se antecipa na hora de ajudar empreendedores a organizar suas finanças.

“Em vez de esperar o comando, o Jota 2.0 categoriza gastos sozinho, organiza as contas, controla despesas e entrega insights de forma proativa. Nos primeiros testes, o engajamento chegou a ser cinco vezes maior que o da versão anterior”, destaca o CEO.

Na prática, o Jota deixa o empreendedor cobrar clientes, vender no cartão em até 12 vezes sem maquininha, registrar quem ficou devendo, gerar boletos e fazer pagamentos, tudo pelo WhatsApp ou pelo app conversacional próprio da fintech, lançado em fevereiro passado.

“A gente quer aposentar o caderninho. Quem empreende precisa vender, atender e fazer o negócio crescer, não passar a noite somando conta no papel”, completa.

Metas ambiciosas

Partindo do zero no início de 2025, quando levantou R$ 60 milhões em uma seed liderada pela MAYA Capital, com HOF Capital, Big Bets, Alter Global e North Ventures, o Jota chegou a cerca de 300 mil clientes (em sua maioria pequenas empresas e profissionais liberais) e R$ 3,5 bilhões em volume transacionado anualizado (TPV).

A estratégia para construir essa base partiu de uma ideia que Davi já tinha colocado em prática quando foi uma das mentes por trás da popularização do PagBank: baixa barreira de entrada. Os usuários podem baixar ou utilizar o Jota no WhatsApp sem custo, mas, à medida que precisam de mais recursos ou capacidade transacional, podem migrar para opções pagas.

Foi com base nesse modelo que o Fala Tap, solução de pagamento por voz lançada no primeiro trimestre de 2026, acabou se tornando uma das principais fontes de receita da companhia, disputando espaço com maquininhas como PagSeguro e CloudWalk. A meta declarada para 2026 é agressiva: passar de 1 milhão de clientes e levar o TPV para além dos R$ 10 bilhões.

Para a Haun Ventures, essa visão de valor agregado pensada para o Jota foi o que fez o fundo “abrir a carteira” e fazer sua primeira aposta em um negócio brasileiro. “Os melhores produtos financeiros são aqueles que se integram naturalmente à forma como as pessoas já vivem e trabalham”, afirma Diogo Monica, general partner da Haun, que classifica o Jota como um dos produtos mais promissores que viu surgir em finanças conversacionais.

O post Jota levanta US$ 30M em 1º aporte da Haun Ventures no Brasil apareceu primeiro em Startups.