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tecnologias verde ESG

Embora mais da metade dos brasileiros ainda não saiba o que significa a sigla ESG, os temas ligados à responsabilidade social, governança e impacto ambiental já fazem parte das cobranças da população sobre as empresas. Segundo o ‘’ESG Consumer Index 2026’’, estudo desenvolvido pela CI&T em parceria com a Box1824, 54% dos entrevistados desconhecem o termo, mas 79,2% defendem relatórios corporativos mais transparentes, acessíveis e compreensíveis.

O levantamento mostra que a inteligência artificial ganhou espaço nesse debate. Para 40,5% da população, a tecnologia pode apoiar as empresas na redução de impactos socioambientais. Ao mesmo tempo, consumidores passaram a usar ferramentas de IA para verificar informações, questionar promessas corporativas e cobrar evidências concretas de resultados.

A pesquisa também indica que a preocupação dos brasileiros está menos relacionada ao domínio de conceitos técnicos e mais aos efeitos práticos desses temas no cotidiano. Sete em cada dez entrevistados afirmam que problemas ambientais impactam sua saúde, enquanto um em cada cinco aponta a fiscalização ética das empresas como prioridade.

“Existe um paradoxo revelador nos dados: O ESG começa a se tornar vital para a sobrevivência da imagem que as pessoas fazem das marcas, exatamente no momento em que a sigla perdeu o sentido para o consumidor. As pessoas não estão interessadas em decifrar os conceitos corporativos; elas cobram atitudes sobre a cidade que alaga, sobre a desigualdade e o acesso a recursos básicos. O discurso técnico perdeu a validade e deu lugar à exigência por impactos concretos na vida real”, ressalta Marcelo Marciano, head de inovação e impacto da CI&T.

Entre as principais urgências do país, 30% dos entrevistados apontam o combate ao uso ilegal da terra e dos recursos naturais. Outros 29,6% destacam a necessidade de ampliar o acesso a recursos básicos, enquanto 28,5% defendem maior proteção à biodiversidade e aos povos originários.

Nesse cenário, a IA aparece tanto como solução quanto como risco. Embora 40,5% dos participantes vejam a tecnologia como ferramenta para reduzir impactos ambientais e sociais, 30,7% a consideram ambígua, por seu potencial de impulsionar avanços e, ao mesmo tempo, criar novos desafios relacionados ao consumo energético, à infraestrutura digital e à disseminação de desinformação.

O estudo aponta ainda que a IA acelera uma mudança no comportamento do consumidor. Com ferramentas generativas, plataformas de busca e análise de dados, o público passou a investigar informações corporativas com mais facilidade, o que diminui a distância entre os discursos empresariais e a capacidade de verificação da sociedade.

“A Inteligência Artificial inverteu a dinâmica de poder e confiança entre empresas e consumidores. Pela primeira vez, a tecnologia não apenas ajuda organizações a gerenciar impactos, mas também dá à sociedade ferramentas para auditar essas informações e cobrar resultados. Estamos entrando em uma era em que compromisso sem evidência perde relevância e dados passam a ser a principal moeda de credibilidade”, afirma Marciano.

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Esse movimento dá origem a um consumidor mais crítico, informado e menos disposto a aceitar promessas sem comprovação. Segundo a pesquisa, 34,5% dos entrevistados acreditam que a maioria das empresas fala sobre sustentabilidade, mas faz pouco na prática. Outros 29,4% avaliam que muitas organizações apenas comunicam compromissos, sem implementar mudanças efetivas.

A cobrança também aparece em temas de governança e responsabilidade social. Para 78,4% dos brasileiros, é injusta a diferença salarial entre executivos e trabalhadores da base. Além disso, 77,5% defendem que as empresas têm a obrigação de reinvestir parte de seus lucros nas comunidades onde atuam.

“O consumidor cansou de esperar por 2030. O que vemos em 2026 é uma crise profunda nas narrativas vazias de sustentabilidade. Na era da IA, a transparência radical é o novo compliance do mercado. Diante de um consumidor que cruza dados e atua ativamente como auditor, as organizações perderam o benefício da dúvida. A IA não aceita mais o storytelling inspirador; ela exige provas concretas, impacto local e evidências no presente”, afirma Sereno Moreno, strategy director & AI specialist na Box 1824.

As expectativas variam conforme o setor econômico. O segmento de alimentos e bebidas é apontado por 35,2% dos entrevistados como o principal responsável por ampliar o acesso da população a recursos básicos. Já 23% atribuem ao setor financeiro o papel de liderar investimentos em educação ambiental.

O levantamento também mostra um descompasso entre intenção e prática. Dados citados pela pesquisa indicam que, embora até 80% das pessoas afirmem priorizar a sustentabilidade, apenas entre 1% e 7% transformam essa preocupação em decisão de compra. Em muitos casos, escolhas consideradas sustentáveis estão mais ligadas a fatores econômicos, como economizar energia ou comprar produtos usados, do que ao engajamento ambiental.

O estudo identificou cinco perfis de consumidores. O maior grupo é formado pelos chamados “Ansiosos Ecológicos”, que representam 45,4% da população. Eles apresentam maior preocupação com impactos ambientais, maior rejeição à desigualdade social e maior disposição para pagar por produtos e serviços que ofereçam transparência.

Na outra ponta, a chamada “Onda de Backlash ao ESG” reúne 11,7% dos entrevistados. Segundo o estudo, esse perfil mais reativo é resultado de uma fadiga sistêmica provocada pelo cansaço com promessas inatingíveis e pela ansiedade cotidiana. Como consequência, o grupo registra os menores índices de preocupação com impactos ambientais, práticas éticas e condições de trabalho.

“Como consequência de anos de greenwashing e da incapacidade do mercado em materializar a sustentabilidade no cotidiano das pessoas, o consumidor entrou em fadiga sistêmica. O consumidor cansou de pagar mais caro por algo que deveria ser o padrão de prateleira. Ao deixarmos a sustentabilidade inacessível e abstrata, pavimentamos o caminho para a descrença. Sem uma transição justa e prática, a ansiedade climática vira reatividade. O crescimento de perfis negacionistas não é falta de informação; é cansaço de um ecossistema que exige consciência das pessoas, mas entrega pouca evidência real na prática“, ressalta Moreno.

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