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Sócios da ABSeed: Geraldo Melzer, Felipe Coelho, Franco Zanette e Marcelo Hoffmann | Crédito: Marcus Steinmeyer
Sócios da ABSeed: Geraldo Melzer, Felipe Coelho, Franco Zanette e Marcelo Hoffmann | Crédito: Marcus Steinmeyer

Especializada nas rodadas iniciais do segmento SaaS B2B, a ABSeed agora quer expandir sua atuação por meio de um fundo evergreen que garanta “mais liberdade de tese” à gestora. Batizado de ABSeed Winners, o fundo de R$ 100 milhões vai operar tanto com follow-ons nas investidas dos três primeiros fundos da casa, quanto com investimentos como follower em séries B e C, além de aportes em segmentos que a casa não olhava antes, como hardware.

“Temos algumas famílias mais engajadas e criamos esse outro veículo para eles, que traz mais liberdade de tese. Esse fundo acontece à margem dos fundos Seed, não concorre com eles. E coloca uma camada que vai além do software, como AI puro, hardware”, explica Franco Zanette, partner na ABSeed Ventures, em entrevista ao Startups.

O aporte de R$ 100 milhões para o Winners acontece no mesmo momento em que a gestora levanta mais R$ 100 milhões para o Seed 3, o terceiro fundo da casa, lançado em 2024. Entre as investidas do fundo estão startups como Clinia (healthtech), Harumi (IoT), Teceo (comércio B2B), DGenny (IA para construtoras) e Robbin (fintech).

Segundo o sócio, cerca de 80% do capital da nova rodada veio de investidores que já estavam na base da gestora, reflexo da confiança construída a partir dos resultados dos fundos passados, apesar do momento de dificuldade para captação no mercado.

No entanto, Franco admite que o esforço necessário para levantar esses fundos foi maior do que no passado. “Claramente a gente teve que fazer mais esforço para chegar em valores similares”, diz.

Com o novo capital, a ABSeed sinaliza uma entrada mais forte no segmento de saúde, que, segundo Franco, ganha força adicional com a aplicação de IA na relação médico-paciente e em novos formatos de atendimento.

“Tem mais coisas (de saúde) vindo num futuro breve. Um setor que não conseguimos entrar ainda é logística. Ainda não achamos o champion”, antecipa o investidor.

Fundo sem prazo

Diferente dos fundos Seed, que têm mandato e prazo de maturação definidos, o Winners não tem prazo para desinvestir e opera em regime de reciclagem de capital — o que permite à gestora seguir apoiando as empresas mais promissoras do portfólio por mais rodadas, sem a pressão de um ciclo de vida fechado.

O perfil de investidor do Winners também é distinto do restante da casa. Hoje, o fundo reúne quatro family offices ligados a indústria ou tecnologia — entre eles, o family office da família Kuerten —, que já estão fortemente alocados nos fundos Seed da ABSeed e entram no Winners como investidores estratégicos, com perfil mais maduro.

“Apesar das teses diferentes, os dois fundos buscam retornos similares. Quem está no Winners está muito carregado nos fundos Seed”, afirma Franco.

Felipe Coelho, partner na ABSeed, acrescenta que o Winners vai funcionar como uma espécie de refugo do dealflow da tese dos fundos Seed. “De início é follow-on de portfólio. A gente recebia muito deal de Série C e agora isso está virando posicionamento oficial”, diz.

Parte do valor da gestora para os investidores vai além do retorno financeiro. Segundo Felipe, a casa presta contas de forma detalhada e usa esse processo para educar os LPs sobre trilha de crescimento e eficiência de capital das startups do portfólio — um retorno que, na visão do sócio, se converte em repertório para os próprios negócios dos investidores. “O que a gente escuta de forma recorrente dos LPs é que, com a gente, eles aprendem e levam insights para os negócios deles”.

O post ABSeed mira séries B e C com novo fundo evergreen de R$ 100M apareceu primeiro em Startups.