
A Jusfy acaba de levantar uma Série A de US$ 15 milhões liderada pela Quona Capital, com participação de fundos como Spectra Investments, LegalTech Fund, FJ Labs e da MAYA Capital. O aporte contou ainda com participação da Thomson Reuters Ventures, braço de venture capital da Thomson Reuters, em seu primeiro investimento em uma startup brasileira.
Os recursos serão usados principalmente para a ampliação da oferta de serviços financeiros da plataforma, solução chamada de Jusfy Pay. Além disso, a empresa planeja investir no desenvolvimento de novas soluções baseadas em IA e lançar uma versão da plataforma voltada a estudantes de Direito.
A última rodada levantada pela startup havia sido há pouco mais de um ano, quando a Jusfy captou uma pré-Série A liderada pela SaaSholic. Na época, também participaram a Norte Ventures e fundos que entraram agora novamente, como MAYA, FJ Labs e o norte-americano The Legal Tech Fund.
O valor dessa rodada anterior não foi divulgado, mas a estimativa, segundo cálculos feitos pelo Startups, é que tenha sido de US$ 4,5 milhões a US$ 6 milhões, considerando uma diluição padrão de 15% a 20% para rodadas até a Série B.
Fundada em 2021, a Jusfy foi avaliada em cerca de US$ 30 milhões na última rodada. O valuation com a Série A de US$ 15 milhões não foi confirmado pela empresa. No entanto, estima-se que esteja em torno de US$ 80 milhões e US$ 106 milhões. Vale ressaltar que o Startups não teve acesso aos termos do acordo e fez os cálculos considerando o que costuma ser praticado no mercado.
A companhia se posiciona como o sistema operacional de IA para a advocacia brasileira. Em carta aos investidores, o fundo global Quona Capital, especializado em fintechs, destaca o potencial da Jusfy no segmento de serviços financeiros.
“Já observamos esse padrão em plataformas verticais como Toast e Shopify: uma vez que a plataforma passa a dominar o fluxo de trabalho, os serviços financeiros se somam a taxas de adoção elevadas, são distribuídos a um custo marginal quase nulo e geram receita por cliente muito acima da assinatura básica. A Jusfy está nessa mesma curva e avançando rapidamente. O JusPay, seu produto de pagamentos, foi lançado no início deste ano e já vem gerando uma receita por usuário substancialmente maior entre os adotantes, formalizando a maneira como os advogados recebem de seus clientes”, aponta a gestora.
Atualmente, a Jusfy atende mais de 60 mil advogados e tem uma base de 14 milhões de processos judiciais em sua plataforma.
“Nosso maior diferencial é conhecer profundamente o advogado brasileiro. Quanto mais profissionais utilizam nossa plataforma, mais inteligência desenvolvemos para criar soluções que geram eficiência, produtividade e novas oportunidades para esse mercado”, afirma Rafael Bagolin, CEO da Jusfy, por meio de nota.
Em entrevista ao Startups em março deste ano, o executivo contou que a empresa encerrou 2025 com uma alta de 118% no faturamento. Para este ano, a expectativa era elevar novamente a receita recorrente em cerca de 80%.
Para a Quona, a tese de inclusão financeira da casa se justifica com a Jusfy através do Jusfy Pay, que possibilita o acesso de advogados de todos os portes, inclusive de média e baixa renda, a serviços financeiros.
“Os bancos não conseguem atender bem esses advogados porque não conseguem enxergar seu pipeline de casos; a Jusfy consegue. E o efeito se multiplica para além da profissão: um setor mais eficiente e transparente significa também melhor acesso à justiça para os milhões de pessoas por trás desses processos”, diz a gestora em comunicado.
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