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Cashea faz uma das maiores captações do ano na região | Foto: divulgação
Cashea faz uma das maiores captações do ano na região | Foto: divulgação

A Cashea, fintech venezuelana de BNPL (buy now pay later), acaba de anunciar a maior captação já feita por uma startup do país: US$ 100 milhões somados em duas rodadas fechadas em um intervalo de apenas três meses — uma série A de US$ 40 milhões concluída em março de 2026 e uma série B de US$ 60 milhões fechada em junho.

Entre os investidores estão a Finsight Ventures, a Spice Expeditions, a Architect Capital, a Washington University em St. Louis, a Endeavor Catalyst, a Krealo, a Amador Holdings e NuMundo Ventures.

O tamanho da captação chama atenção não só pelo valor absoluto, mas por causa da geografia. Ao aportar US$ 100 milhões, a Cashea entra direto entre as maiores rodadas de equity de fintech na América Latina em 2026, ao lado da mexicana Plata (US$ 405 milhões em série C, com valuation de US$ 5 bilhões) e da argentina Ualá (US$ 195 milhões em equity, valuation de US$ 3,2 bilhões).

O recorde anterior de captação de uma startup venezuelana pertencia à superapp Yummy, que em 2021 fechou uma série A de US$ 18 milhões e, oito meses depois, uma extensão de US$ 47 milhões.

A trajetória da Cashea

A Venezuela não é o que se costuma chamar de expoente tech na América Latina. O ecossistema local convive há anos com uma economia castigada por hiperinflação, restrições ao sistema financeiro e uma retração acentuada do crédito ao consumo. É justamente esse vácuo que a Cashea decidiu ocupar.

A startup surgiu no início do boom do BNPL na região, acompanhando a tendência de nomes como a colombiana Addi e as mexicanas Kueski Pay e Aplazo. Fundada em Caracas em 2022, nasceu com uma tese direta: reconstruir o acesso ao crédito a partir da confiança entre consumidores e comerciantes, em um cenário em que o cartão de crédito virou artigo raro.

O que a Cashea trouxe de diferente foi o desenho do produto para um mercado onde o cartão de crédito não é a base: a fintech concede um crédito inicial ao usuário e permite quitar o valor em até 14 dias sem juros, gerando receita principalmente por meio de acordos comerciais com os lojistas e da própria gestão do risco de crédito, e não da cobrança de juros ao consumidor.

Nos dois anos que antecederam a série A, a companhia captou apenas US$ 2,1 milhões, parte dos quais veio de anjos como Vicente Zavarce, fundador da própria Yummy, Diego Salas, um dos primeiros investidores da superapp, e da Epakon Capital, fundo de pré-seed e seed venezuelano.

Atualmente, a Cashea atende mais de 10 milhões de consumidores, o equivalente a mais de 50% da população adulta da Venezuela, e tem penetração em mais de 40 mil lojas em todo o país, entre categorias como eletrônicos, eletrodomésticos, farmácias, moda, casa, viagens e serviços. Para efeito de comparação, em 2024 a fintech operava com cerca de 5 mil comerciantes parceiros.

O post Fintech venezuelana faz uma das maiores captações da região em 2026 apareceu primeiro em Startups.