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Ilya Shirokov fundador e CEO do Grupo Joom. Marketplace. (Imagem: divulgação)

O Joom Group colocou no ar nesta terça-feira, 28, o JoomAI, serviço de inteligência artificial (IA) voltado a vendedores e lojistas de marketplaces. O Brasil foi escolhido como mercado de estreia global do produto, e a justificativa da empresa diz menos sobre o tamanho do comércio eletrônico brasileiro do que sobre sua dificuldade.

“Se um operador de IA consegue dominar o mercado que mais pune os erros, ele funciona em qualquer lugar”, diz Ilya Shirokov, fundador e CEO do Joom Group, em entrevista. Ele acrescenta que, em mercados de crescimento acelerado, a vantagem competitiva se forma cedo e é difícil de recuperar. “Essa dificuldade é exatamente o motivo de termos começado aqui. Brasil primeiro, todos os outros corredores em seguida.”

A tese por trás do produto é ambiciosa, e o executivo não a suaviza. “Acreditamos que a maior parte das tarefas dos vendedores de marketplace pode ser substituída pela IA”, afirma. A companhia apresenta o JoomAI como o primeiro serviço de inteligência artificial do mundo criado exclusivamente para vendedores desse tipo de plataforma.

Da operação ao estratégico

A ferramenta reúne mais de 100 agentes de IA especializados que atuam dentro da loja do vendedor, monitorando concorrência, precificação, estoque e anúncios 24 horas por dia, segundo a empresa.

A inteligência artificial já vinha sendo usada há dois anos no comércio eletrônico para tarefas operacionais, como geração de imagens de produtos, textos de anúncios, respostas a clientes e organização de importação. O JoomAI, no entanto, propõe avançar para decisões estratégicas, como definição de nicho, escolha de produtos e precificação frente à concorrência, resolvendo um problema com o qual, segundo a Joom, os vendedores esbarravam: a falta de acesso a dados organizados das plataformas.

“A inteligência artificial funciona bem quando é direcionada. Existem muitas para uso geral, mas vemos um grande caminho de sucesso na segmentação: IA para o mundo jurídico, IA para saúde e agora IA para vendas”, explica Shirokov.

A empresa já conta com a JoomPulse, ferramenta que analisa dados de vendas e do comércio eletrônico em geral para sugerir estratégias de produto e planos de importação e estoque.

A Joom estima que o vendedor médio de marketplace dedica apenas 30% do tempo à venda propriamente dita, com o restante consumido por pesquisa de produtos, checagem de preços da concorrência, recálculo de margens e monitoramento de catálogo. A proposta do JoomAI é reduzir essa rotina a minutos, com agentes que operam de forma contínua e enviam relatórios automáticos.

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Conector para Claude e ChatGPT

Os agentes do JoomAI cobrem precificação, anúncios, monitoramento de concorrentes, estoque, identificação de oportunidades e conteúdo. A ferramenta também responde a perguntas em linguagem natural sobre nichos com demanda não atendida, quedas repentinas de vendas, reposição de estoque e viabilidade de apostar em tendências, sem exigir configuração técnica prévia.

O diferencial de dados, segundo a companhia, está no cruzamento de custos de aquisição, preços de fornecedores e demanda entre marketplaces, organizando informações que são públicas, mas estão espalhadas, o que permite estimar a margem real de cada produto.

O JoomAI conta ainda com um conector para o Claude, da Anthropic, e para o ChatGPT, da OpenAI, que leva os dados de mercado em tempo real diretamente para esses assistentes, possibilitando consultas em linguagem natural sem sair do chat. A Joom afirma se tratar do primeiro conector desse tipo para uma plataforma de dados de comércio eletrônico no País, e diz ter sido a primeira IA de vendas aprovada pela Anthropic para esse tipo de integração.

Por que o Brasil primeiro

A escolha do Brasil como mercado de lançamento não é casual, segundo a empresa. O País é o maior mercado de comércio eletrônico da América Latina: o setor faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), que projeta R$ 259,8 bilhões para 2026.

O País também tem, de acordo com a Joom, um traço que não se repete nas Américas: é o único lugar onde existem mais vendedores digitais nacionais do que internacionais, já que os outros mercados são dominados por vendedores chineses.

Contudo, o mercado brasileiro também é apontado como um dos mais difíceis de operar no mundo. A cascata tributária pode dobrar o custo de desembaraço aduaneiro, a complexidade na fronteira barra a maioria dos negócios, e o crédito para pequenas e médias empresas chega a juros de 30% a 45% ao ano.

Levantamento da própria Joom aponta que 64% dos empreendedores de comércio eletrônico brasileiros veem na complexidade da importação, e não na concorrência ou no capital, o maior obstáculo ao crescimento.

Durante a coletiva, Shirokov também comparou o momento atual da IA aplicada a marketplaces à popularização das planilhas eletrônicas: “Acreditamos que a IA vai ser igual ao desenvolvimento do Excel. Hoje é impossível imaginar alguém usando caneta e papel para se organizar. No futuro, será impossível imaginar o mercado de e-commerce e marketplace sem IA.”

O CEO ainda citou o tamanho do mercado brasileiro como fator de decisão: “O Brasil tem um marketplace gigante, são aproximadamente 5 milhões de vendedores e continua crescendo. Diferentemente de outros mercados das Américas, dominados por vendas chinesas, o Brasil é dominado por suas próprias vendas.”

Três estágios de maturidade

De acordo com Shirokov, o JoomAI foi concebido em três estágios de evolução. No primeiro, já disponível, o vendedor consulta dados de vendas, comportamento de nicho e comparação de produtos entre marketplaces e países diretamente por perguntas em linguagem natural. No segundo estágio, também já ativo, é possível criar agentes personalizados para tarefas específicas, como responder clientes, acompanhar o desempenho de um produto ou montar uma agenda de vendas.

O terceiro estágio, ainda não lançado, prevê que o JoomAI funcione como um “funcionário” que orienta proativamente o vendedor logo pela manhã, indicando o que repor no estoque, quais nichos têm mais potencial de venda no dia e como estão as previsões de vendas. A expectativa da empresa é lançar essa fase no início do ano que vem.

Entre os recursos já disponíveis, Shirokov citou dois agentes. “Uma das grandes vantagens é o espião de concorrente. Todos no marketplace querem saber qual é a estratégia do concorrente, e a JoomAI indica o que ele está fazendo e o que o vendedor pode fazer para se diferenciar”, afirma. O segundo é “o caçador de produtos, um agente que identifica o que mais vende em cada nicho e onde compensa investir, voltado sobretudo a vendedores iniciantes”.

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