
A Microsoft apresentou na segunda-feira, 27, em São Francisco (EUA), seu primeiro modelo de inteligência artificial (IA) especializado em cibersegurança, o MAI-Cyber-1-Flash, desenvolvido internamente pela divisão Microsoft AI. O desempenho anunciado, porém, depende de um modelo de uma concorrente: os 96% obtidos no CyberGym, teste de referência do setor, vieram da combinação do modelo próprio com o GPT-5.4, da OpenAI, dentro do MDASH — o sistema multiagente que a empresa usa para identificar e corrigir vulnerabilidades de software.
A tese comercial é de custo, não de potência. Segundo a companhia, o MAI-Cyber-1-Flash responde por até 90% das tarefas de segurança — detectar falhas, aplicar correções e confirmar se funcionaram — e repassa os 10% mais difíceis ao GPT-5.4, cerca de dez vezes maior. O conjunto sai pela metade do custo da configuração atual do MDASH.
Na medição divulgada pela empresa e detalhada pelo site The Register, a combinação alcançou 95,95% de sucesso no CyberGym. O GPT-5.5 Cyber, da OpenAI, obteve 85,6%, e o GPT-5.6 Sol, 83,6%. O Mythos 5, da Anthropic, resolveu 83,8% dos casos, e o Gemini 3.5 Flash Cyber, do Google, dentro do CodeMender, chegou a 83,2%.
O presidente-executivo da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind, resumiu o argumento em evento na segunda-feira: a empresa teria alcançado “desempenho de ponta pela metade do custo”, segundo a CNBC. Ele afirmou ainda que a companhia usou menos de 1% de sua base de dados de segurança, alimentada por mais de 100 trilhões de sinais diários em identidade, dispositivos, nuvem e rede.
Plataforma organiza agentes em times
Ao lado do modelo, a Microsoft apresentou o Perception, arquitetura de defesa que opera dentro do MDASH e distribui agentes em três times. Os vermelhos simulam ataques e modelam caminhos de exploração; os azuis detectam e classificam falhas existentes; os verdes aplicam as correções, incluindo trechos de código. Modelo e plataforma ficam disponíveis em prévia a partir de 3 de novembro.
A vice-presidente de segurança da Microsoft, Hayete Gallot, descreveu a plataforma como uma forma de “defender-se da IA com IA”, na escala e na velocidade em que os atacantes já operam, segundo o TechCrunch. À CNBC, ela afirmou que executivos da área veem nas ferramentas uma forma de reduzir a barreira de entrada e ampliar o número de profissionais disponíveis para operar centros de operações de segurança.
A empresa também criou um braço de pesquisa em segurança de IA, o Microsoft Security FORGE Labs, sob o vice-presidente de pesquisa em segurança Taesoo Kim, e uma aliança externa de times de ataque, a EXTRA.
Dependência da OpenAI segue no centro
O anúncio se soma ao esforço da Microsoft para reduzir a dependência de fornecedores externos de modelos. Em junho, a empresa apresentou uma família de sete modelos próprios, entre eles o MAI-Thinking-1, do qual deriva o MAI-Cyber-1-Flash. Neste ano, também passou a usar modelo próprio para gerar código no GitHub Copilot e no Excel.
Ainda assim, o principal resultado apresentado depende do GPT-5.4. Questionado pelo VentureBeat sobre como um sistema apoiado em um modelo da OpenAI pode superar concorrentes de fronteira, Suleyman atribuiu o desempenho ao conjunto, e não a um modelo isolado: o MDASH funcionaria como um roteador, encaminhando cada problema ao modelo adequado.
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As ações da Microsoft acumulam queda de 19% em 2026. Em relatório a clientes no domingo, analistas da companhia liderados por Karl Keirstead escreveram que a percepção dos investidores sobre a alta exposição da Microsoft à OpenAI voltou a ser de risco, diante da visão de que modelos abertos — chineses e outros — devem ganhar espaço frente aos laboratórios de fronteira. Keirstead recomenda a compra do papel.
O mercado em que a Microsoft entra já tem concorrentes diretos: a Anthropic liberou o Mythos a um grupo restrito de parceiros por meio do programa Glasswing, e a OpenAI lançou sua própria solução em maio, no programa Daybreak. A Microsoft não atualiza sua receita em cibersegurança desde 2023, quando informou mais de US$ 20 bilhões por ano.
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