
Apesar dos diversos avanços trazidos pela inteligência artificial (IA) para o mercado de trabalho, as consequências do uso da tecnologia ainda geram fortes debates sociais. Um deles aconteceu nesta segunda-feira (28) durante o painel “O cérebro no piloto automático: o (alto) preço da conveniência na era da IA”, na premiação Pensadores de Futuros.
Mediado por Angelica Mari, cofundadora e diretora de Experiências na Futuros Possíveis, e integrado por Daniel Leal, estrategista criativo e head de Comunidades do SP2B, e Andreza Maia, cofundadora e diretora de Influência na Futuros Possíveis, a programação trouxe para o centro da discussão as pequenas nuances no uso da inteligência artificial que precisam ser observadas.
Para Leal, o uso da tecnologia tem exigido mais presença e intencionalidade. Apesar de não perceber impacto em sua capacidade criativa, o especialista observa uma ansiedade maior em produzir e uma necessidade crescente de adotar critérios ao consumir conteúdo. “Nunca foi tão fácil colocar ideias no mundo, mas isso exige intencionalidade. A conveniência criada pela tecnologia também exige mais seletividade”, defendeu.
Andreza concorda. Diante da quantidade de conteúdos gerados por IA, a executiva afirma que entramos na era do conteúdo ultraprocessado e que esse cenário demanda mais cuidado. Para ela, a revolução vai além da tecnologia e passa a ser cognitiva. “Se compararmos o conteúdo ultraprocessado à comida ultraprocessada, estamos falando de algo rápido, palatável e irresistível. Mas, quando consumido em excesso, ele pode nos deixar desnutridos. Comer um sorvete de vez em quando não é um problema. O problema é quando ele se torna o único alimento”, afirma.
Ao falar sobre o medo da IA, Maia acredita que esse também é um efeito colateral da conveniência criada pela tecnologia, já que, ao se apresentar como indispensável, ela reduz nossa disposição para questionar o próprio papel humano. “Estamos com medo de uma ferramenta que não existe sem as pessoas. Existe uma história do mundo sem a IA, mas não existe uma história da IA sem o conhecimento e o repertório humanos. A conveniência nos tira, inclusive, a capacidade de questionar a origem desse medo.”
Diante desse cenário, tanto Leal quanto Andreza defendem a diversidade, as trocas e as atividades offline como formas de exercitar o pensamento crítico e mitigar os possíveis efeitos do uso da IA. “Precisamos aprender a pensar e a questionar qual é a nossa perspectiva sobre os temas. Isso passa por abrir mão de algumas conveniências, porque, quanto mais dependemos delas, mais difícil se torna desenvolver empatia e compreender diferentes recortes da realidade”, afirma Leal.
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“Precisamos conversar com pessoas diferentes, porque é no caos que exercitamos nossa humanidade. É isso que nos torna soberanos diante da tecnologia. O conhecimento ancestral nos permite trabalhar ao lado da IA sem perder aquilo que nos torna humanos”, conclui Andreza.
Premiados em Tecnologia e Inteligência Artificial
Após o painel, Andreza, acompanhada pelo cofundador da Futuros Possíveis, Marcelo Grippa, anunciou os vencedores do prêmio Pensadores de Futuros. A premiação contemplou 50 profissionais nas categorias Tecnologia e Inovação; Saúde e Bem-Estar; Trabalho; Energia e Clima; Finanças; Inteligência Artificial; Mobilidade Urbana; Comunicação; Empreendedorismo; e Educação.
Cada categoria teve cinco vencedores. Na de Tecnologia, os premiados foram Alberto Cordeiro, diretor de Estratégia, Transformação e Governança da Natura; Augusto Carminati, futurista; Silvio Meira, cientista e fundador do Porto Digital; Kizzy Terra, cofundadora da Programação Dinâmica; e Luis Fernando Guggenberger, CEO da Potato Valley Ventures.
Já para Inteligência Artificial, a Futuros Possíveis premiou Rodrigo Nogueira, fundador e CEO da Maritaca.AI; Nina da Hora, fundadora do Instituto da Hora; Lucas Riza, palestrante de comportamento humano na era da IA; Fernanda Rodrigues, coordenadora de pesquisa no IRIS; e Hugo Tadeu, diretor do Centro de Pesquisa de Inovação e IA da Fundação Dom Cabral.
O evento contou ainda com a participação de Paulo Emediato, head do Inovabra, e de mais de 40 finalistas do prêmio.
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