
O venture capital não é imune às transformações trazidas pela inteligência artificial. Se antes a principal discussão era a digitalização das empresas, agora investidores e corporações precisam lidar com ciclos tecnológicos mais curtos, novos modelos de negócio e mudanças na forma de criar valor para startups.
Para Humberto Matsuda, Venture Partner da Kamay Ventures, os modelos tradicionais da indústria já não respondem às demandas atuais. Em entrevista ao podcast MVP, do Startups, ele afirma que a combinação entre IA, aumento da percepção global de risco e mudanças geopolíticas exige uma nova postura dos investidores.
“Muitos dos modelos tradicionais de trabalhar com venture capital estão ficando ultrapassados, eles estão ficando ineficientes. Vem sendo exigido dos profissionais dessa área uma atualização, uma mudança de mindset para muitas coisas. Uma nova régua de risco para muitas coisas”, observa.
O investidor acrescenta que o mercado está passando por um momento de ruptura de modelos. Ferramentas capazes de automatizar processos de vendas, marketing, recursos humanos e backoffice reduzem parte do valor agregado que antes era oferecido pelos fundos às startups. “O profissional vai ter que se adaptar e repensar como construir relacionamento, como construir deal flow, como ser capaz de ajudar as startups”, diz. “Hoje muitas das ofertas que um VC fazia cinco ou dez anos atrás já podem ser executadas por softwares ou ferramentas baseadas em IA”.
O papel do CVC
Na avaliação de Humberto, essa transformação também reforça a importância do corporate venture capital. Diferentemente dos fundos tradicionais, os CVCs precisam equilibrar retorno financeiro com objetivos estratégicos das corporações, como acesso a novas tecnologias, ganhos operacionais e inovação.
Na visão do executivo da Kamay, um CVC bem estruturado deve estar muito mais alinhado às necessidades estratégicas da empresa mantenedora do que às métricas tradicionais utilizadas por fundos de venture capital.
Ele também defende que o sucesso de um CVC não pode ser medido apenas pelos exits realizados, mas também pelos resultados operacionais gerados para as corporações por meio da adoção de tecnologias desenvolvidas pelas startups investidas.
“A paciência estratégica é diferente da paciência financeira. O apetite de risco estratégico é totalmente diferente do apetite de risco financeiro. Quando você olha para a parte tecnológica, eu tenho duas opções: eu tento com essa startup ou continuo convivendo com a minha plataforma industrial ineficaz. Quando eu olho para o mundo financeiro, eu estou comparando a startup com renda fixa, com renda variável. Então são dinâmicas completamente diferentes”, aponta.
O episódio completo do podcast MVP com Humberto Matsuda, da Kamay Ventures, já está disponível no YouTube e no Spotify.
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