
O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova restrição à entrada de tecnologias estrangeiras ao proibir a importação de novos robôs avançados produzidos fora do país, incluindo robôs humanoides e quadrúpedes. A medida, divulgada na terça-feira, integra uma estratégia mais ampla da administração de Donald Trump para reduzir a dependência de equipamentos considerados sensíveis em áreas estratégicas.
Segundo a BBC, a decisão foi tomada pela Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), que incluiu esses equipamentos em sua Covered List, relação de produtos e serviços classificados como riscos à segurança nacional.
Além dos robôs, a agência também proibiu a autorização de novos inversores de energia fabricados no exterior. Esses equipamentos são utilizados em data centers, sistemas de energia solar e outras aplicações críticas para infraestrutura elétrica.
A restrição vale apenas para novos produtos que ainda não haviam recebido autorização da FCC. Equipamentos já aprovados anteriormente continuam podendo ser comercializados e importados.
A medida atinge principalmente fabricantes chineses, já que a China lidera atualmente a produção mundial de robôs humanoides e disputa com os Estados Unidos a liderança global em inteligência artificial e robótica.
Governo cita riscos de espionagem e ataques cibernéticos
De acordo com a FCC, equipamentos produzidos fora dos Estados Unidos podem representar vulnerabilidades relevantes para a infraestrutura nacional.
No caso dos inversores de energia, a agência afirma existir o risco de que fabricantes estrangeiros possam desligar remotamente os equipamentos, acessar informações, facilitar invasões cibernéticas ou permitir ações de vigilância por governos estrangeiros.
Em relação aos robôs humanoides e quadrúpedes, o órgão argumenta que esses dispositivos poderiam ser utilizados para monitorar cidadãos americanos, ampliar capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou até serem controlados remotamente por agentes maliciosos.
O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou, segundo a BBC, que a iniciativa faz parte dos esforços da agência para fortalecer a segurança das cadeias de suprimentos consideradas críticas para os Estados Unidos.
A Embaixada da China em Washington reagiu à decisão afirmando que Pequim se opõe à politização das relações comerciais e ao uso de sanções baseadas no que classificou como justificativas sem fundamento.
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Segundo a representação diplomática chinesa, o país adotará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses e defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial ocorra por meio da cooperação internacional. A embaixada também pediu que os Estados Unidos abandonem o que chamou de postura hegemônica e deixem de impor sanções contra empresas chinesas.
A BBC informou que procurou fabricantes chineses de robôs, como Unitree, UBTech e AgiBot, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.
A nova restrição amplia uma série de medidas adotadas por Washington nos últimos anos para limitar o avanço tecnológico da China.
Os Estados Unidos já restringiram a exportação de semicondutores avançados para empresas chinesas, alegando preocupações com segurança nacional, modernização militar e preservação da liderança americana em inteligência artificial. Além disso, produtos chineses, como veículos elétricos, enfrentam tarifas elevadas que reduziram significativamente seu acesso ao mercado norte-americano.
Outro ponto de preocupação para o governo americano é a dependência das cadeias globais de suprimentos. Segundo a BBC, Washington busca evitar uma repetição das dificuldades enfrentadas após a China restringir, no ano passado, as exportações de terras raras, matérias-primas essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos.
Enquanto isso, fabricantes chineses aceleram o desenvolvimento de robôs humanoides voltados para aplicações industriais, logística e uso doméstico. Essas empresas também vêm ampliando a oferta comercial antes que concorrentes americanos, como Tesla e Boston Dynamics, consigam escalar a produção de seus próprios modelos.
A decisão da FCC adiciona mais um capítulo à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, que hoje envolve setores como inteligência artificial, semicondutores, computação, infraestrutura energética e robótica avançada. Conforme destacou a BBC, o governo americano considera esses segmentos estratégicos para sua segurança nacional e competitividade econômica.
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