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Painel de discussão realizado em um evento corporativo da Cielo. Três participantes estão sentados em bancos altos usando fones de ouvido, diante de um estande com iluminação azul. Uma das pessoas segura um microfone enquanto fala, e outra segura materiais de apoio. Ao lado do grupo, há uma intérprete de Libras realizando a tradução da apresentação. Ao fundo, diversos visitantes circulam pelos corredores do evento entre estandes iluminados e áreas de exposição. Vasos com plantas ornamentais decoram o espaço, contribuindo para a composição do ambiente. A imagem retrata uma apresentação ou conversa mediada em um ambiente de networking e tecnologia.

A Cielo anunciou na quarta-feira, 29, seu novo sistema de pagamentos operado por inteligência artificial (IA). A solução foi desenvolvida em parceria com o Google Cloud e utiliza o padrão aberto AP2 (Agent Payments Protocol). A tecnologia permite que os consumidores usem chats assistidos por IA para buscar produtos, receber recomendações e finalizar compras de forma autônoma.

Segundo o superintendente de Produtos e Tecnologia da Cielo, Eduardo Migotto, o lançamento reflete uma mudança na forma de desenhar soluções que os meios de pagamento têm vivido desde a chegada da inteligência artificial generativa. Se antes o foco estava em proporcionar uma experiência fluida de checkout, agora é a curadoria de produtos que conta. “Com a IA, a etapa de pagamento se torna invisível e o modelo tradicional de pesquisa, redirecionamentos, filtros etc. ficou obsoleto. O consumidor pede algo mais assistido, como o que existe na loja física”, explica.

O sistema vem sendo desenvolvido desde outubro de 2025, a partir de um convite do próprio Google. Nos últimos seis meses, a Cielo tem testado a tecnologia com clientes de diferentes segmentos, como drogarias, lojas de vestuário e de material de construção e papelarias. Com o anúncio, a expectativa é que esses primeiros testes sejam colocados em produção e que a solução atinja não só os grandes varejistas, como também as pequenas e médias empresas.

Segundo dados divulgados pela Cielo, a plataforma reduz o tempo médio de checkout em até 60% e pode diminuir o abandono de compras no carrinho em cerca de 30%. Como resultado, as empresas que adotam a tecnologia podem ter um aumento de até 15% na taxa de vendas concluídas e uma redução de até 20% no custo de cada operação.

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Infraestrutura de nuvem

A comunicação entre os sistemas do cliente e do lojista ocorre de forma padronizada, por meio de protocolos abertos. O A2A (Agent to Agent) permite a troca de mensagens e a negociação direta entre assistentes virtuais de diferentes empresas. O MCP (Model Context Protocol) conecta os agentes aos sistemas de negócio do lojista, como catálogos de produtos e controle de estoque. Os dois operam em conjunto com o protocolo de pagamentos AP2.

Para viabilizar essa operação em escala global, a plataforma da Cielo foi estruturada sobre o Gemini Enterprise Agent Platform, responsável pela construção e orquestração técnica dos agentes, e sobre o modelo Gemini, encarregado do processamento da linguagem natural.

O processamento das vendas acontece nos sistemas Google Cloud Run e Spanner. O registro de todas as operações para fins de auditoria e conformidade de mercado fica a cargo do BigQuery.

O futuro do comércio eletrônico

Para os próximos passos, a Cielo pretende evoluir a solução para atuar também via WhatsApp. A empresa acredita que o futuro das vendas será inteiramente conversacional. Ainda assim, a companhia pretende manter o humano no circuito de decisão tanto neste quanto em outros produtos. Para Migotto, a decisão reflete uma tendência de mercado e de comportamento.

“É improvável um futuro em que iremos delegar toda a responsabilidade de uma compra para um agente, porque ele pode, inclusive, tomar decisões que sejam contrárias ao seu contexto. Acredito que evoluiremos para uma confiança maior na tecnologia, e poderemos disparar jornadas assíncronas de compra, mas sempre com um direcionamento humano”, diz Migotto.

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