
A Qualcomm divulgou resultados acima das expectativas para o terceiro trimestre fiscal de 2026, mas a projeção para o período seguinte frustrou investidores e provocou queda nas ações da companhia. Segundo a Reuters, o mercado reagiu principalmente ao aumento esperado dos custos operacionais, à redução das receitas relacionadas à Apple e ao enfraquecimento do segmento de infraestrutura para computação em nuvem.
Após a divulgação do balanço, os papéis da fabricante de semicondutores chegaram a cair cerca de 7% nas negociações após o fechamento do mercado. Apesar do desempenho positivo no trimestre encerrado em junho, analistas concentraram atenção nas perspectivas para os próximos meses, consideradas mais conservadoras do que o esperado.
A Qualcomm projetou lucro ajustado entre US$ 2,65 e US$ 2,85 por ação para o quarto trimestre fiscal. O ponto médio da estimativa ficou abaixo da previsão média dos analistas consultados pela LSEG, de US$ 2,83 por ação. A empresa também estimou receita entre US$ 10,1 bilhões e US$ 10,9 bilhões, faixa que ficou próxima das expectativas do mercado, segundo a Reuters.
O diretor financeiro da companhia, Akash Palkhiwala, atribuiu parte da pressão sobre os resultados ao aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e aos custos associados à expansão da estratégia de inteligência artificial.
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Apple e nuvem reduzem ritmo de crescimento
Outro fator que pesou nas perspectivas foi a diminuição das receitas provenientes da Apple. A fabricante do iPhone vem ampliando o uso de componentes próprios em seus dispositivos, reduzindo gradualmente a dependência dos modems fornecidos pela Qualcomm.
Segundo a Reuters, a empresa já esperava uma queda nas vendas para a Apple ao longo de 2026, à medida que a fabricante acelera a adoção de chips desenvolvidos internamente. A transição representa uma mudança relevante para a Qualcomm, que historicamente teve a Apple entre seus principais clientes.
Além disso, a companhia indicou que a demanda por chips destinados à infraestrutura de computação em nuvem deverá permanecer mais fraca no curto prazo. Esse segmento vinha sendo apontado como uma oportunidade de diversificação em relação ao mercado de smartphones, mas o crescimento ficou abaixo do esperado.
Mesmo diante desse cenário, o principal negócio da Qualcomm continua apresentando desempenho sólido. A receita da divisão de chips (QCT), responsável pelos processadores Snapdragon utilizados em smartphones e outros dispositivos conectados, cresceu impulsionada pela demanda por aparelhos premium e pela incorporação de recursos de inteligência artificial embarcada.
A empresa também continua ampliando sua presença em mercados como automóveis conectados e internet das coisas (IoT). A receita da divisão automotiva avançou na comparação anual, refletindo novos contratos com montadoras para fornecimento de plataformas digitais e sistemas de assistência ao motorista.
No terceiro trimestre fiscal, a Qualcomm registrou receita de US$ 10,8 bilhões, alta em relação ao mesmo período do ano anterior e acima das estimativas de analistas. O lucro ajustado foi de US$ 2,91 por ação, também superando as projeções do mercado, de acordo com a Reuters.
Apesar dos resultados positivos, investidores demonstraram preocupação com o ritmo de crescimento futuro da companhia. Além da redução das receitas ligadas à Apple, o aumento das despesas e a desaceleração em alguns segmentos estratégicos passaram a dominar a avaliação do mercado sobre o desempenho da fabricante.
A Qualcomm vem buscando reduzir sua dependência do mercado de smartphones por meio da expansão em áreas como inteligência artificial, computação de borda, automóveis e dispositivos industriais conectados. Segundo a Reuters, a empresa mantém essa estratégia de diversificação, mas reconhece que a transição ocorre em um ambiente de investimentos elevados e de demanda desigual entre os diferentes mercados de semicondutores.
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