
O governo dos Estados Unidos está preparando uma nova restrição à tecnologia chinesa voltada para a infraestrutura de inteligência artificial (IA). Segundo apuração da Reuters, a administração do presidente do país, Donald Trump, trabalha em uma regra que proibiria a importação de novos modelos de transceptores ópticos chineses, componentes essenciais para a comunicação de alta velocidade entre servidores em data centers.
A iniciativa está sendo conduzida pela Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora do setor de telecomunicações nos EUA. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o objetivo é publicar a regulamentação ainda neste ano, embora o texto ainda possa ser alterado ou até arquivado antes da divulgação oficial.
Os transceptores ópticos convertem sinais elétricos em sinais ópticos, permitindo a transmissão de dados por fibras ópticas dentro dos data centers. Esses equipamentos são considerados fundamentais para a operação dos clusters de GPUs utilizados no treinamento e na inferência de modelos de inteligência artificial.
De acordo com as fontes consultadas pela Reuters, a principal preocupação das autoridades americanas é reduzir riscos de segurança cibernética, incluindo eventual roubo de dados, instalação de malware ou interrupção de serviços em instalações consideradas estratégicas para a liderança dos Estados Unidos em IA.
Restrição amplia pressão sobre fornecedores chineses
Caso seja implementada, a medida deverá atingir fabricantes chineses de componentes ópticos, entre eles a Zhongji Innolight, uma das maiores fornecedoras globais desse tipo de equipamento. Segundo a Reuters, a empresa detém aproximadamente 27% do mercado mundial de transceptores ópticos e obtém a maior parte de sua receita fora da China.
A mudança pode beneficiar fornecedores norte-americanos, como Coherent e Lumentum, que competem nesse segmento. Ao mesmo tempo, especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a substituição de fornecedores pode elevar os custos de construção e expansão dos data centers utilizados por grandes empresas de computação em nuvem e inteligência artificial, incluindo provedores como a Amazon Web Services (AWS).
A proposta faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump para reduzir a dependência de componentes chineses em setores considerados críticos. Nos últimos meses, a FCC também anunciou medidas para restringir equipamentos ligados à infraestrutura elétrica e robótica provenientes da China, alegando preocupações semelhantes relacionadas à segurança nacional.
Segundo a Reuters, autoridades americanas buscam impedir que tecnologias chinesas se consolidem na cadeia de suprimentos dos data centers que sustentam o crescimento da inteligência artificial, considerada uma prioridade estratégica para o país.
O governo chinês criticou a proposta e afirmou que responderá caso os interesses de suas empresas sejam prejudicados. A medida se soma a outras restrições adotadas pelos Estados Unidos nos últimos anos contra fabricantes chineses de equipamentos de telecomunicações e infraestrutura tecnológica.
A Reuters destaca que esta não é a primeira tentativa de Washington de ampliar os controles sobre equipamentos utilizados em data centers. Em diferentes momentos, a administração Trump avaliou restrições semelhantes, algumas delas posteriormente suspensas durante negociações diplomáticas com Pequim. Agora, com a expansão acelerada da infraestrutura destinada à inteligência artificial, a segurança dos componentes utilizados nesses ambientes voltou ao centro das discussões entre autoridades americanas.
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