
A Qualcomm está ampliando seus investimentos em data centers e vê o Brasil como um mercado estratégico para a companhia neste segmento. A empresa, com sede nos Estados Unidos, lançou em junho a marca Dragonfly, direcionada a data centers de grande escala, com foco em processadores centrais, aceleradores de inferência de IA e chips de aplicação específica.
No Rio Innovation Week 2026, Diego Aguiar, head da Qualcomm no Brasil, disse que o país possui condições que o favorecem como player global em data centers. “O Brasil é um mercado super importante para a Qualcomm em termos de data center, porque é um consumidor ávido, goza de uma estrutura de energia limpa muito importante e tem profissionais bem capacitados. Obviamente, tem seus desafios, mas a gente entende que o país reúne características que tornam a região importante”, destacou o executivo, em entrevista ao Startups no evento.
De acordo com o executivo, a Qualcomm quer expandir a capacidade computacional para além do Sudeste e do Nordeste, que hoje concentram a maior parte da infraestrutura tecnológica nacional, levando soluções também para o Sul, o Centro-Oeste e o Norte do país. Para isso, a empresa aposta no conceito de micro data centers de borda (edge), que podem ser escalados tanto para atender grandes sites quanto para operações menores, voltadas a pequenas e médias empresas que buscam ambientes on-premises ou soluções dedicadas ao seu volume diário de dados.
Para Diego, a discussão sobre soberania de dados não deveria mais ser vista como uma opção, mas como uma necessidade para o país. Segundo ele, ter data centers locais traz benefícios que vão muito além da segurança da informação, passando por ganhos de latência, disponibilidade e gestão, além de permitir que novos modelos econômicos de negócio se desenvolvam sem depender exclusivamente de estruturas internacionais.
“Eu acho que soberania talvez seja a palavra de efeito, mas acho que isso hoje é imperativo. O ecossistema que se desenvolve em cima de data centers locais, de pequenos data centers de empresas, isso é brutal”, afirmou o executivo.
Apesar do avanço das ferramentas de inteligência artificial no dia a dia da companhia, Diego conta que a tecnologia não reduziu o ritmo de contratações, tanto no Brasil, quanto globalmente. Embora reconheça o benefício da IA para tarefas operacionais, ele aponta que a capacidade cognitiva humana segue sendo um ativo estratégico da empresa.
“A questão é: como eu libero o tempo das pessoas, utilizando essas ferramentas, para que elas possam explorar a parte mais subjetiva, que é a mais legal”, explicou.
Com um CEO brasileiro, o paulista Cristiano Amon, a Qualcomm tem tratado o Brasil como um mercado importante também no ecossistema de startups. Em 2025, a companhia trouxe para a região o programa “IA Qualcomm para Inovadores”. A ideia é capacitar startups e desenvolvedores a projetar e implementar soluções baseadas em IA para enfrentar desafios locais.
Segundo Diego, a primeira turma do programa já resultou em cinco pedidos de patente por parte das empresas participantes, que utilizaram as plataformas da companhia para desenvolver suas soluções.
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