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A imagem mostra uma loja da Apple com arquitetura marcante. A fachada é feita de vidro curvado e o teto interno tem um padrão circular de madeira. O logotipo da Apple está iluminado e centralizado na frente da loja. Dentro, há mesas exibindo produtos da marca e várias pessoas interagindo com os dispositivos ou entre si. A loja está cercada por árvores e parece estar localizada em uma área urbana à noite, como indicado pela iluminação e pelos reflexos no vidro. (Apple)

A Apple está testando chips de memória fabricados pela chinesa CXMT em diferentes linhas de produtos, incluindo iPhones e MacBooks, segundo reportagem do Wall Street Journal (WSJ) publicada no domingo (9). A movimentação surge como resposta a uma escassez de componentes que se agravou globalmente por causa do boom de investimentos em inteligência artificial, que vem pressionando para cima o preço e reduzindo a disponibilidade de chips de memória em todo o setor de eletrônicos.

De acordo com a reportagem, que cita pessoas a par do assunto, a Apple já manteve conversas preliminares com a CXMT, atualmente a maior fabricante de semicondutores da China em valor de mercado, sobre o fornecimento de componentes. O objetivo inicial seria restrito a dispositivos comercializados dentro do próprio mercado chinês, e a empresa estaria buscando o aval do governo americano antes de fechar qualquer acordo mais amplo. A Reuters informou não ter conseguido confirmar de forma independente as informações, e tanto a Apple quanto a CXMT não responderam a pedidos de comentário.

O episódio tem um componente geopolítico sensível. A CXMT está na lista de entidades restritas dos Estados Unidos por suspeitas de vínculos com o exército chinês, o que impede legalmente qualquer transferência de tecnologia americana para a companhia. Na prática, isso significa que a Apple não pode encomendar chips personalizados junto à fabricante chinesa — só pode adquirir componentes de prateleira, já padronizados, negociando preço e quantidade. Ainda assim, um grupo bipartidário de senadores americanos já enviou, em julho, uma carta pedindo que a Apple não avance nessa direção, em meio ao endurecimento das restrições de Washington à tecnologia chinesa às vésperas de uma cúpula bilateral prevista para o mês seguinte.

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A Apple não estaria sozinha nesse movimento: fabricantes de notebooks como HP e Acer já incorporaram chips da CXMT em produtos vendidos fora dos Estados Unidos, como forma de contornar a escassez. O aperto no fornecimento de memória já vem afetando as vendas do setor como um todo — segundo dados da consultoria Counterpoint Research citados pelo WSJ, os embarques globais de computadores pessoais recuaram 4% na comparação anual no segundo trimestre, enquanto os de smartphones caíram 11% no mesmo período. A pressão sobre custos, aliás, já havia levado a própria Apple a reajustar preços de produtos há cerca de dois meses, citando diretamente o encarecimento da memória.

Do lado da fabricante chinesa, o cenário é de forte expansão: a receita da CXMT multiplicou-se por mais de oito vezes na comparação anual no segundo trimestre, e sua fatia da receita global de chips DRAM já alcança 7%. A empresa está ampliando sua capacidade produtiva com a meta de mais que dobrar a produção até 2028, embora sua tecnologia ainda esteja, segundo analistas, um passo atrás da oferecida por rivais consolidados como SK Hynix, Samsung e Micron, as duas primeiras, aliás, concorrentes diretas da CXMT nesse mercado.

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