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Mercado Livre também tem sua marca Basics | Foto: divulgação
Mercado Livre também tem sua marca Basics | Foto: divulgação

Em sua estratégia de se firmar como superapp de vendas no Brasil, o Mercado Livre acabou de pegar mais uma página do playbook da Amazon e aplicá-la por aqui. Em comunicado aos seus clientes, a empresa lançou a marca Basics, de produtos próprios para vender dentro do seu marketplace.

De acordo com o comunicado, e conforme o Startups pôde apurar no marketplace da empresa, o Mercado Livre Basics oferece produtos de cama, mesa e banho, além de uma linha pet e de vestuário. Curiosamente, são linhas que se assemelham ao que a Amazon oferece com a sua marca própria (a Amazon Basics) no Brasil.

Apesar de o nome ser novo, não é de agora que o Mercado Livre aposta em marcas próprias para faturar dentro do seu próprio marketplace. Em 2021, a empresa já havia se arriscado com a Mercado Livre Essentials, de produtos de limpeza, e com outros nomes que não levavam o da companhia, como a Wondrus (linha infantil), a Begônia (decoração), a Klatter (ferramentas) e a Tedge (gadgets).

Contudo, na época, o lançamento não teve tanta visibilidade quanto o que a empresa está dando à Basics, com comunicações no site e em e-mails aos clientes. Por conta dessa estratégia low profile, várias das marcas lançadas em 2021 foram descontinuadas pouco tempo depois.

Contudo, o timing para o relançamento de uma linha própria de produtos é oportuno. A Amazon chegou com o Basics no Brasil em junho, às vésperas do seu Prime Day 2026.

Procurado pela reportagem do Startups, o Mercado Livre não se pronunciou sobre a estratégia com sua marca própria de produtos nem sobre como ela pode impactar a venda de parceiros em seu marketplace.

Navegando no Mercado Livre, porém, percebe-se que os itens oferecidos na linha Basics ainda não são rankeados à frente de outras marcas do marketplace, o que já diferencia a estratégia da varejista daquela que fez muitos comerciantes da Amazon “chiarem” com a empresa de Jeff Bezos nos Estados Unidos.

A polêmica do Amazon Basics

Desde o lançamento da Amazon Basics nos EUA em 2019, muitas marcas acusaram a companhia de utilizar dados do site para saber quais itens eram mais procurados pelos consumidores e, a partir dessas informações, criar produtos próprios para a marca Basics. A acusação atinge o coração do modelo híbrido da Amazon, que é ao mesmo tempo dona do marketplace e vendedora dentro dele — com acesso privilegiado aos números de todos os lojistas que ali operam.

Em depoimento ao Congresso americano, um ex-funcionário comparou esse acesso a uma “loja de doces”, em que qualquer um podia pegar o que quisesse: havia uma regra, mas ninguém para fiscalizá-la. Nomes conhecidos como Allbirds e Williams-Sonoma entraram no coro, acusando a empresa de criar cópias mais baratas de seus produtos e, ainda por cima, de manipular os resultados de busca para exibir os itens da Basics à frente dos concorrentes.

Apesar de todo o escrutínio, o negócio de marca própria nunca deu o retorno esperado. Segundo o Wall Street Journal, havia 243 mil itens vendidos sob 45 marcas próprias, mas eles representavam menos de 1% das vendas de varejo da Amazon — muito longe da meta de 10% que Bezos havia estabelecido para 2022.

O post Mercado Livre segue playbook da Amazon e lança Basics no Brasil apareceu primeiro em Startups.