
A Oracle superou as estimativas de Wall Street para o primeiro trimestre fiscal de 2027 e registrou um consumo de caixa menor do que o esperado, aumentando a confiança dos investidores de que seus investimentos em inteligência artificial (IA) estão gerando retorno sem comprometer o balanço financeiro da empresa. Os resultados foram divulgados nessa quinta-feira (11).
A notícia, reportada pela Reuters, foi recebida positivamente pelo mercado. As ações da Oracle, que acumulavam queda de mais de 21% no ano, subiram 4% no pregão estendido após a divulgação de um salto na carteira de pedidos futuros da empresa, indicador-chave das perspectivas de crescimento de receita.
Carteira de contratos de IA
No primeiro trimestre fiscal, a Oracle firmou mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem com IA, elevando sua carteira total de receita futura para US$ 664 bilhões. O número superou a estimativa média de analistas de US$ 639,89 bilhões, de acordo com dados da Visible Alpha.
A empresa projeta que cerca de metade dessa carteira se converta em receita nos próximos 36 meses. O ponto que mais chamou atenção dos investidores, no entanto, foi a natureza dos contratos; a maior parte dos novos pedidos não exigirá grandes desembolsos de capital pela companhia.
“A grande maioria desses pedidos foi feita via pré-pagamento, por meio de hardware do próprio cliente ou por um mecanismo similar, portanto não requerem capital incremental da Oracle”, diz Hilary Maxson, diretora financeira da Oracle. “E começamos a ver uma forte conversão de nossa carteira em receitas neste trimestre, impulsionando nossos resultados de infraestrutura em nuvem.”
Consumo de caixa menor que o previsto
O balanço financeiro foi outro ponto de alívio para os investidores. A Oracle reportou fluxo de caixa livre negativo de US$ 5,40 bilhões no trimestre, abaixo das expectativas de fluxo negativo de US$ 9,56 bilhões, segundo dados da LSEG. O resultado também representa melhora em relação ao terceiro trimestre do exercício fiscal de 2026, quando o fluxo de caixa livre negativo chegou a US$ 11,48 bilhões.
A empresa registrou gastos de capital de US$ 28,50 bilhões no período, dos quais cerca de US$ 11,36 bilhões foram cobertos por pré-pagamentos de clientes. “A nova divulgação sobre os pré-pagamentos de clientes é um sinal muito positivo. Este é provavelmente o primeiro trimestre em algum tempo em que o balanço patrimonial efetivamente melhorou, o que permite à empresa dizer que não há impacto incremental em seus planos de gastos de capital”, diz Bill Birmingham, diretor executivo da REX Financial.
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A empresa manteve sua meta anual de gastos de capital entre US$ 90 bilhões e US$ 95 bilhões. A melhora do balanço é relevante porque as ações da Oracle acumulavam queda de quase 25% desde o resultado do trimestre encerrado em junho, pressionadas por preocupações com o avanço dos gastos e o impacto no fluxo de caixa. Em julho, a S&P Global rebaixou o rating de crédito da empresa, citando fluxo de caixa fraco e elevação do risco de negócio.
Resultados do trimestre
A receita do primeiro trimestre fiscal cresceu 30%, para US$ 19,3 bilhões, superando a estimativa de US$ 19,14 bilhões. O lucro ajustado por ação foi de US$ 1,92, acima da projeção de US$ 1,74.
Com o desempenho, a Oracle elevou sua previsão de lucro ajustado por ação para o exercício fiscal de 2027 de US$ 8,05 para US$ 8,10, ante a expectativa média dos analistas de US$ 8,07. A companhia também projetou receita anual de pelo menos US$ 90 bilhões.
Para Rebecca Wettemann, presidente-executiva da Valoir, empresa de pesquisa e consultoria em tecnologia, os números marcam uma inflexão na narrativa da empresa. “A história do retorno sobre investimento em IA acabou de se tornar real para a Oracle e seus clientes. Resultados sólidos significam que os clientes da Oracle estão votando com suas carteiras, e a Oracle precisa continuar a construir a narrativa de que o crescimento da carteira de pedidos não é mais apenas uma história da OpenAI.”
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