
A A5X, fintech brasileira que quer competir com a B3 como nova bolsa de derivativos, acaba de anunciar a captação de uma Série D de R$ 360 milhões. O aporte foi liderado Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek, e contou com participação de investidores que já estavam no cap table, como IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e ABN AMRO Clearing. A XP também exerceu sua opção de compra e passou a integrar a base de investidores da companhia.
Com a nova rodada, a A5X chega a mais de R$ 730 milhões captados desde a fundação, em quatro rodadas. O novo aporte eleva o valuation da empresa a R$ 2,7 bilhões.
Fundada em 2023 por Carlos Ferreira e Karel Luketic, ex-sócios e executivos da XP, ao lado de Julian Chediak e Nilson Monteiro (cofundador da Ideal), a A5X nasceu com a proposta de criar uma nova infraestrutura para o mercado brasileiro de derivativos e desafiar a concentração do segmento em torno da B3.
A companhia já tem mais de 200 funcionários e prevê começar a operar no segundo trimestre de 2027. O dinheiro da Série D será usado para financiar as operações até o breakeven, incluindo o capital regulatório necessário para atuar como infraestrutura de mercado e os recursos para escalar a operação.
Para colocar a nova bolsa de pé, a A5X combina tecnologia de negociação e clearing do London Stock Exchange Group (LSEG), dono da Bolsa de Londres, com infraestrutura e tecnologia próprias desenvolvidas para o mercado brasileiro.
“Não poderíamos estar mais orgulhosos do ecossistema que construímos em torno da A5X. Com a rodada atual, além do capital, reunimos algumas das mais respeitadas instituições financeiras do mundo e alguns dos mais sofisticados participantes do mercado de capitais global e brasileiro. Somado a um time altamente experiente, com mais de 200 profissionais, e à tecnologia globalmente comprovada da Bolsa de Londres, LSEG, com essa rodada fortalecemos significativamente a capacidade de lançarmos a A5X com sucesso e ajudar a transformar o mercado de capitais brasileiro. Nossa missão é levar mais inovação, transparência e eficiência a um setor que acreditamos precisar de grandes evoluções”, disse Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador da A5X, em nota.
A última rodada levantada pela A5X havia sido em setembro do ano passado, no valor de aproximadamente R$ 200 milhões. Em maio deste ano, a empresa anunciou a chegada de Cícero Vieira, ex-COO da B3, como sócio e advisor estratégico.
O mercado de derivativos vem ganhando mais interesse dos investidores, após o surgimento de plataformas de mercados preditivos, como Kalshi e Polymarket. Embora tenham modelos diferentes das bolsas tradicionais, essas plataformas ajudaram a popularizar a ideia de negociar contratos atrelados a eventos futuros, aproximando o público de uma lógica que já é conhecida no mercado financeiro.
Em março deste ano, inclusive, a XP anunciou uma parceria com a Kalshi para oferecer a clientes com contas internacionais contratos do tipo “sim ou não” atrelados a eventos da economia brasileira, como variações na inflação e nas taxas de juros.
A entrada da XP no cap table da A5X mostra que a corretora está de olho no potencial de crescimento desse mercado, hoje dominado por um único player.
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