
A Databricks anunciou nesta quarta-feira (16) um investimento de mais de R$ 1,5 bilhão (US$ 300 milhões) no Brasil nos próximos três anos. Os recursos serão destinados à ampliação da oferta de produtos e serviços, expansão da equipe local e fortalecimento do ecossistema de parceiros da companhia.
O anúncio ocorre após a receita da Databricks no Brasil triplicar nos últimos dois anos, segundo Marcos Grilanda, vice-presidente da companhia para a América Latina. Em entrevista ao IT Forum durante o Data + AI World Tour, em São Paulo, o executivo relaciona o crescimento à demanda por projetos de transformação.
“A nossa receita triplicou em dois anos no Brasil. Isso vem impulsionado pelos nossos clientes, que têm cada vez mais acreditado na plataforma, nas migrações e contado com a Databricks para os seus projetos de transformação”, afirma Grilanda.
Parte dos recursos será direcionada ao aumento do quadro de funcionários no País, incluindo profissionais técnicos e da área comercial.
“Vamos investir em aumentar a disponibilidade de produtos e serviços para os nossos clientes e aumentar o nosso quadro de colaboradores”, diz. “Vamos ter mais executivos de contas, mais pessoas técnicas para ajudar os nossos clientes na sua jornada de transformação de dados e inteligência artificial.”
A empresa não detalha quantas contratações pretende realizar nem como os R$ 1,5 bilhão serão distribuídos entre as diferentes frentes.
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IA amplia preocupação com custos
A expansão ocorre em um momento em que, segundo Grilanda, a discussão das empresas sobre IA começa a avançar da experimentação para questões relacionadas a escala, governança e custos.
O executivo afirma que o custo de consumo de modelos e a governança estão entre as principais preocupações nas conversas com lideranças empresariais.
“Cada dez executivos com quem eu converso no mercado, quando pergunto se estão confortáveis com o custo de tokens e se a governança está sob controle, a resposta é sempre: tenho preocupações”, diz.
Segundo Grilanda, a pressão não está restrita aos CIOs. CFOs também estão mais atentos aos gastos relacionados à tecnologia, aumentando a necessidade de vincular projetos de IA a casos de negócio e resultados mensuráveis.
A Databricks afirma que pelo menos oito das dez maiores companhias brasileiras dos setores de educação, varejo, saúde e serviços financeiros, considerando o ranking Valor 1000, utilizam sua plataforma.
Empresas buscam resultados mensuráveis
Grilanda cita projetos de clientes brasileiros para exemplificar como a discussão sobre infraestrutura de dados começa a ser associada a métricas de negócio.
No Nubank, uma migração para Databricks SQL permitiu dobrar o volume de consultas e reduzir custos em até 40%, segundo a companhia. A operação processa mais de 40 milhões de consultas mensais. Já no iFood, a Databricks reporta redução de 67% nos custos de processamento com a adoção da plataforma.
Para Grilanda, a busca por retorno exige que as empresas partam de problemas concretos, em vez de adotarem IA sem uma aplicação definida.
“O convite para o mercado e para os nossos clientes é sempre pensar no caso de negócio: como eu vou impactar o resultado da empresa”, afirma.
Databricks quer capacitar 150 mil pessoas
Além da expansão comercial e técnica, parte da estratégia para o País será direcionada à formação de profissionais. A Databricks pretende capacitar mais de 150 mil pessoas em habilidades relacionadas a dados e IA nos próximos três anos e meio.
A iniciativa inclui parcerias com instituições acadêmicas, treinamentos gratuitos e programas de aprendizagem.
A companhia também pretende ampliar a atuação junto ao ecossistema brasileiro, que atualmente reúne mais de 300 parceiros.
“É sempre a questão do conhecimento, de poder usufruir e tirar o máximo proveito da plataforma”, afirma Grilanda.
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