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Davi Holanda, fundador e CEO do Jota | Foto: Luciano Alves/divulgação
Davi Holanda, fundador e CEO do Jota | Foto: Luciano Alves/divulgação

O Jota, fintech que oferece um assistente financeiro e pessoal no WhatsApp e aplicativo próprio, quer transformar a inteligência artificial em uma equipe de C-levels para o pequeno empreendedor brasileiro. A tese do fundador e CEO Davi Holanda é que, enquanto grandes empresas conseguem contratar executivos para cuidar de finanças, tecnologia, operações e vendas, quem toca um pequeno negócio costuma acumular todas essas funções sozinho. A fintech quer usar a IA para preencher esse espaço.

A estratégia começa pela evolução do próprio produto. O Jota prepara uma nova versão de seu agente de inteligência artificial capaz de agir fora do próprio aplicativo, incluindo realizar compras e pagamentos em nome do usuário. O Jota 3.0, como é chamado, é o próximo passo de uma ferramenta que já ganhou memória, automações e integrações para assumir tarefas do dia a dia do empreendedor.

Identificando o problema

A tese nasceu de uma observação de Davi Holanda dos tempos em que trabalhava com pequenos e médios clientes. Para ele, quem abre um negócio costuma dominar uma atividade específica, mas precisa assumir uma série de outras funções para as quais não necessariamente tem formação ou experiência. “É muito mais difícil gerir um negócio pequeno do que um negócio grande”, afirma, em entrevista ao Startups.

O executivo cita o exemplo de profissionais autônomos como cabeleireiros e mecânicos, que podem dominar completamente sua atividade principal, mas precisam lidar também com finanças, operações, tecnologia e atendimento. Em uma empresa maior, essas responsabilidades podem ser distribuídas entre diferentes executivos. Para o pequeno empreendedor, ficam concentradas em uma única pessoa. “Ele precisa de um CFO, CTO, CRO e um monte de outros C’s na vida dele. E o pequeno empreendedor, contrata quem?”, questiona.

É esse espaço que o Jota pretende ocupar. A ideia é que o agente consiga assumir parte dessas tarefas e dar ao empreendedor acesso, por meio de uma única interface, a funções que normalmente exigiriam diferentes ferramentas ou profissionais.

De assistente a agente

A evolução do produto é uma das frentes para colocar essa visão em prática. Na versão atual, o Jota 2.0, o agente passou a trabalhar com automações e integrações, além de memória. O usuário pode, por exemplo, conectar o Google Calendar e pedir que o Jota encontre horários disponíveis e envie convites para reuniões.

A memória também permite que o sistema retenha informações e preferências do usuário e seja mais proativo, fazendo lembretes sem que seja necessário repetir a instrução. A ferramenta passou ainda a consultar informações na internet para responder a perguntas abertas.

O próximo passo é ampliar essa capacidade de execução para fora do ambiente do Jota. Hoje, o agente já consegue realizar transações dentro da própria plataforma, como um Pix feito por comando de voz. Na versão 3.0, a proposta é que ele consiga acessar serviços externos e executar tarefas em nome do usuário.

Davi cita como exemplo o pagamento de uma DARF. O empreendedor poderia pedir ao Jota que acessasse um sistema de gestão, identificasse o documento pendente e realizasse o pagamento. A ideia é que esse tipo de tarefa também possa ser automatizado de forma recorrente. “Para nunca mais o empreendedor esquecer de pagar imposto”, diz o executivo.

A mudança amplia o papel que a empresa pretende dar ao agente: em vez de apenas responder perguntas ou executar comandos dentro do próprio aplicativo, o Jota quer que a IA também consiga operar ferramentas externas e tomar ações em nome do empreendedor.

Monetização

A expansão das capacidades de IA, porém, não significa que o assistente será o principal produto pago da fintech. Atualmente, o agente é gratuito, enquanto a receita vem das transações financeiras realizadas pela plataforma.

O Jota cobra tarifas pela aceitação de pagamentos com cartão de crédito e débito via WhatsApp, em um modelo semelhante ao de adquirentes como Stone e Cielo. A estratégia é ampliar essa monetização conforme novos serviços financeiros forem incorporados à plataforma.

O Jota 3.0 deve ser uma exceção. Segundo Davi, a versão capaz de realizar transações fora do ambiente da fintech será paga.

Reforço de caixa

A estratégia ganhou impulso com a rodada Série A de R$ 150 milhões anunciada em junho, que levou o valuation do Jota a US$ 185 milhões. Segundo Davi, os recursos estão sendo direcionados principalmente ao desenvolvimento do J-Cortex, sistema de inteligência artificial construído internamente pela fintech, e à expansão da oferta de serviços financeiros.

A empresa já lançou o Tap on Phone, que transforma o celular do empreendedor em uma máquina de pagamentos, e testa um produto de crédito próprio. Também protocolou junto ao Banco Central um pedido de licença para atuar como instituição regulada — a data de 4 de setembro foi mencionada por Davi na entrevista, mas vale confirmar o protocolo antes da publicação.

O movimento reforça a ambição do Jota de ir além da criação de um assistente de IA. A fintech tenta combinar a camada de inteligência artificial com uma infraestrutura de serviços financeiros para pequenos negócios.

Segundo Davi, a companhia encerrou dezembro de 2025 com cerca de 100 mil clientes e aproximadamente R$ 100 milhões processados no mês. Agora, a fintech está próxima de 400 mil clientes e processa cerca de R$ 560 milhões mensais — 5,6 vezes o volume registrado em dezembro.

O crescimento já chamou a atenção de investidores para uma possível nova rodada. Davi afirma que alguns fundos começaram a sondar a empresa sobre uma Série B para o fim de 2027, mas diz que o Jota não pretende antecipar a captação. “Se fizer sentido, vamos fazer. Mas ainda é cedo, acabamos de fazer a Série A. Deixe andar mais um pouco.”

O post Jota quer transformar IA em “C-level” para pequenos empreendedores apareceu primeiro em Startups.