
A ideia de produzir açúcar a partir de algas marinhas pode parecer inusitada, mas é justamente essa a aposta da Ocean Sugar, foodtech brasileira que quer levar ao mercado uma alternativa ao açúcar tradicional. Fundada em maio de 2026, a empresa desenvolveu um produto que, segundo seus criadores, tem poder adoçante até 100 vezes superior ao do açúcar de cana e não contém calorias.
Com fábrica em Belém (PA), a startup começou a comercializar seus produtos no Brasil agora em setembro e já planeja expandir a operação para outros mercados. A empresa recebeu um investimento de R$ 25 milhões da Maias Partners, venture capital estadunidense fundada por Marcelo Callegari, que também é CEO da foodtech. Segundo ele, a Ocean Sugar já registrou faturamento de R$ 600 mil no primeiro mês de operação comercial.
A proposta da companhia é usar uma molécula extraída de algas marinhas para desenvolver ingredientes que possam substituir parte ou todo o açúcar convencional em alimentos e bebidas. A tecnologia foi desenvolvida pelo cientista Edson Paiva, que passou mais de duas décadas pesquisando o composto.
“Edson é o cientista e mestre disso tudo. Sem ele, a gente não teria criado essa indústria. Nossa conversa é sobre reduzir o açúcar comum de cana e substituí-lo por um açúcar de algas marinhas”, disse Marcelo em entrevista ao Startups.
O produto é comercializado sob a marca Ocean Sugar e, de acordo com o CEO, não deixa o retrogosto amargo frequentemente associado a adoçantes tradicionais. A startup também desenvolveu uma versão combinada com açúcar de cana, chamada Smart Sugar, que leva 90% de Ocean Sugar e 10% de outros açúcares.
De pesquisa científica a negócio
A história da Ocean Sugar começou antes da criação da empresa. Segundo Marcelo, Edson teve contato com um produto derivado de algas durante uma viagem de trabalho à China, há cerca de 20 anos. Intrigado com o sabor adocicado do composto, o cientista passou a investigar sua composição e a estudar formas de isolar a molécula.
“Ele trabalhava para uma indústria química e foi para a China em trabalho de discovery. Através de estudos, Edson foi chegando num consenso, combinando produtos, fazendo extração e engenharia reversa daquela molécula que ele tinha experimentado lá na China, e ele conseguiu isolar o que a gente chama de exopolissacarídeo”, contou.
O resultado foi o EPS Algalyte, molécula natural extraída de algas marinhas, com alto poder adoçante, desenvolvida e patenteada exclusivamente pela marca. O composto pertence à classe dos exopolissacarídeos, cadeias de açúcares produzidas por microrganismos, como bactérias e fungos, e liberadas por eles no ambiente externo.
A foodtech afirma que o composto é livre de calorias e contém minerais como magnésio, cálcio, zinco, ferro e cobre.
Do primeiro produto à estratégia comercial
Apesar de o Ocean Sugar ser o principal lançamento da companhia, ele não foi o primeiro produto comercializado pela empresa. Antes dele, a foodtech desenvolveu o Non Sugar, uma linha criada em parceria com uma rede de nutricionistas do Nordeste, que reúne mais de 300 profissionais.
“A gente pode dizer que o Ocean Sugar tem uma cadeia de produtos dentro de produto só”, ressaltou o CEO.
Ainda segundo Marcelo, o produto começou a ser vendido antes do lançamento oficial da marca Ocean Sugar e foi responsável pelo faturamento de R$ 600 mil no primeiro mês de operação comercial.
A estratégia comercial da Ocean Sugar começa pela venda direta ao consumidor, por meio do site da empresa. No futuro, a foodtech também pretende ampliar a distribuição no varejo, com planos de chegar a redes de supermercados e lojas especializadas em produtos naturais.
Já no modelo B2B, a companhia busca parcerias com fabricantes de alimentos e bebidas interessados em reduzir o uso de açúcar convencional em seus produtos. Entre os segmentos citados pelo CEO estão chocolates, sorvetes, bebidas e produtos lácteos.
“Para a indústria farmacêutica também é bem interessante, já que ela usa muito açúcar em xaropes e na composição de comprimidos. Ou seja, uma pessoa diabética, por exemplo, vai poder tomar sem preocupação”.
A startup pretende selecionar parceiros que tenham iniciativas de sustentabilidade e nutrição alinhadas às suas propostas e ideais.
O Ocean Sugar chegará ao consumidor em duas versões. A embalagem com 40 gramas deve custar em torno de R$ 42, enquanto a caixa com 100 sachês individuais sairá por cerca de R$ 38, conforme Marcelo. O CEO ressalta que os valores foram convertidos do dólar e podem variar conforme o câmbio.
Produção no Pará e planos internacionais
A escolha da capital paraense para a fábrica da Ocean Sugar foi motivada pela disponibilidade de matérias-primas e pela possibilidade de utilizar a unidade como um centro de produção voltado à exportação.
Fora da terra do açaí, a empresa também já tem planos de abrir uma fábrica no estado de São Paulo e em West Palm Beach, na Flórida.
Para estruturar operações em outros países, Marcelo afirma que a companhia já iniciou conversas comerciais com potenciais parceiros nos Emirados Árabes Unidos e na Nigéria. A empresa também pretende avançar em outros mercados, incluindo a Europa.
“Temos na mão um produto valioso, do qual o mercado ainda não conhece. Se fizermos as parcerias corretas, a gente pode formar uma rede de novos produtos únicos adoçados naturalmente com açúcar de algas marinhas”, finalizou.
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