Skip to main content

ransomware, ciberataques, malware, hacker, crime, ameaças

A adoção de um firewall de próxima geração (NGFW) melhora a segurança de uma empresa, mas não elimina as condições que permitem invasões. Um estudo da IBM publicado em 2026 mostra que a exploração de aplicações expostas cresceu 44% em 2025, tornando-se o vetor de acesso inicial de maior expansão no período.

A conclusão reforça um problema recorrente no mercado: tratar cibersegurança como aquisição de ferramenta, e não como capacidade permanente da organização. O levantamento X-Force Threat Intelligence Index 2026 acompanhou quase 40 mil vulnerabilidades em 2025. Desse total, 56% podiam ser exploradas sem autenticação.

“Um firewall de próxima geração pode ser extremamente eficiente e, ainda assim, a empresa continuar vulnerável. Isso acontece porque o ataque não necessariamente precisa atravessar a fronteira que o firewall está protegendo da maneira que imaginamos. Ele pode começar por uma aplicação exposta, uma credencial comprometida, uma configuração inadequada ou um acesso legítimo que foi abusado. Proteção não é uma caixa que você instala. É uma capacidade que precisa acompanhar a operação todos os dias”, diz Ricardo Dias, diretor-presidente e sócio da Clear IT.

Identidade como vetor de ataque

Além das vulnerabilidades técnicas, o roubo de credenciais tem se consolidado como caminho preferencial de invasores. A IBM X-Force registrou, em 2025, mais de 16 milhões de dispositivos infectados por malwares do tipo infostealer, entre eles Lumma, Acreed e Vidar. Esses programas capturam credenciais armazenadas em navegadores, cookies de sessão e outros dados sensíveis, permitindo que o invasor utilize os próprios mecanismos de acesso da organização.

“É uma mudança importante: não basta perguntar se o sistema consegue impedir uma conexão maliciosa. É preciso saber quem está acessando, de onde, em que contexto, com quais privilégios e se aquele comportamento é compatível com o padrão esperado”, afirma Dias. Para o executivo, é nesse ponto que conceitos como Zero Trust, gestão de identidade e observabilidade deixam de ser apenas termos de mercado e passam a compor uma estratégia integrada de defesa.

Leia mais: Compras online: 5 cuidados essenciais para evitar golpes e problemas

O estudo da IBM também aponta que grandes incidentes de cadeia de suprimentos cresceram quase quatro vezes nos últimos cinco anos. O cenário evidencia que a superfície de ataque pode se estender para além da infraestrutura diretamente administrada pela empresa, exigindo controles que abranjam dependências externas.

Configuração, integração e operação contínua

Para Dias, o problema central não é a ausência de tecnologia, mas a forma como ela é implementada e mantida. “Existe uma certa corrida por tecnologia no mercado. A empresa compra uma solução mais avançada, implementa e considera o problema resolvido. Só que a tecnologia precisa estar corretamente configurada, atualizada, integrada às demais camadas e acompanhada por pessoas capazes de interpretar os sinais. Caso contrário, cria-se uma falsa sensação de proteção. O desafio real é transformar essa jornada em uma operação consistente”, afirma o executivo.

A abordagem da Clear IT combina firewall de próxima geração com Zero Trust, gestão de identidade, observabilidade e operação de defesa 24 horas por dia, com foco em detectar e responder a eventos antes que resultem em indisponibilidade, perda de dados ou impacto financeiro.

“Nenhuma tecnologia promete risco zero e seria irresponsável vender essa ideia. O que uma arquitetura madura pode fazer é reduzir a superfície de ataque, aumentar a visibilidade, dificultar a movimentação do invasor e, principalmente, diminuir o tempo entre detectar um comportamento anômalo e agir sobre ele. É essa capacidade de adaptação contínua que precisa estar no centro da estratégia de proteção das empresas”, conclui Dias.

Leia o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!