Skip to main content

Leandro Palmieri (à esquerda), CEO e cofundador do Onovolab, e Ramon Rogado (à direita), gerente de Inovação Corporativa do Onovolab. Os executivos participaram da inauguração do Mobility Unlimited Hub Latin America, iniciativa da Toyota Mobility Foundation voltada à aceleração de startups de tecnologias assistivas, em São Carlos (SP). (Toyota, startup)

A Toyota Mobility Foundation escolheu São Carlos, no interior de São Paulo, para instalar a segunda unidade do Mobility Unlimited Hub, programa de aceleração de startups de tecnologias assistivas que até então operava apenas em Toronto, no Canadá. O espaço, inaugurado nesta quinta-feira (29) em parceria com o Onovolab, começa com nove empresas selecionadas e tem como meta chegar a cerca de 20 startups aceleradas por ano.

“Nosso papel é ajudar essas startups a se desenvolverem e a não morrerem no meio do caminho, o grande desafio de quem está começando um negócio de tecnologia”, afirma Leandro Palmieri, CEO e cofundador do Onovolab.

Em entrevista ao IT Forum, o executivo detalhou o funcionamento do programa, que terá ciclos de aceleração de dois anos, testes com pacientes em centros de reabilitação e um modelo sem participação societária. O foco são empresas que desenvolvem soluções para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou dificuldades de locomoção decorrentes do envelhecimento.

Por que São Carlos?

Segundo Palmieri, a escolha está relacionada à concentração de universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia na região, que abriga a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A proposta é aproveitar essa estrutura para desenvolver soluções que possam ser comercializadas no Brasil e em outros países latino-americanos.

“A América Latina tem muitos desafios, tanto de mobilidade urbana quanto de mobilidade humana, e uma impacta a outra”, diz.

A primeira seleção recebeu 67 inscrições de startups de diferentes países. Vinte empresas chegaram à pré-seleção e nove foram escolhidas. Todas estão nos níveis de maturidade TRL 6 a 9, escala usada para medir o estágio de desenvolvimento de uma tecnologia. Nessa faixa, as soluções já passaram pelas etapas iniciais e avançam para demonstrações e validações em condições próximas às reais. Entre os projetos selecionados estão plataformas digitais e dispositivos de tecnologia assistiva, incluindo soluções voltadas a pessoas com tetraplegia.

Leia também: IA avança mais rápido que a governança nas empresas, aponta KPMG

Para 2027, o Onovolab pretende abrir uma nova turma com dez startups. A organização também avalia criar um programa para empresas em estágios anteriores, com tecnologias entre TRL 3 e 6, para ampliar o número de projetos que chegam à aceleração.

Vale a ressalva: a meta de 20 startups por ano depende dessas novas frentes. Com ciclos de dois anos, a turma atual de nove empresas e a próxima, de dez, ainda não somam esse ritmo anual por conta própria.

Do protótipo ao paciente

Para as startups de tecnologia assistiva, o gargalo não está só no desenvolvimento. Elas precisam cumprir exigências regulatórias, comprovar a segurança dos dispositivos e encontrar canais de distribuição antes de chegar ao mercado.

“O grande desafio para as empresas de mobilidade humana, tecnologia assistiva e reabilitação é transferir a tecnologia, por meio de conexões com parceiros, usuários de teste e canais de venda”, explica Ramon Rogado, gerente de Inovação Corporativa do Onovolab.

As nove startups já participam de mentorias com especialistas nacionais e internacionais em negócios, desenvolvimento de produtos e tecnologias assistivas. A próxima etapa prevê a avaliação das soluções em situações reais de uso na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que também pode se tornar canal de venda.

“Se os testes derem certo, partimos para o mercado, vendendo inclusive nessas instituições. A AACD se dispõe a ser um canal de fornecimento dessas tecnologias para os usuários”, relata Rogado.

O programa pretende firmar parcerias semelhantes com outros centros de reabilitação, hospitais e instituições de pesquisa, tanto para validar as tecnologias quanto para distribuí-las.

Sem participação societária

O modelo é equity free, ou seja, a fundação não fica com participação nas empresas aceleradas. “A Toyota Mobility Foundation não se torna sócia nem fica com participação em nenhuma startup. Como fundação, o objetivo é ver essas empresas crescerem, se desenvolverem e impactarem a vida das pessoas”, afirma Palmieri.

O acesso a capital virá por conexões. Está prevista para dezembro, em São Paulo, uma apresentação das startups a fundos de investimento e empresas. A unidade de Toronto deve servir de ponte para o ecossistema de inovação da América do Norte. “Para as startups que passarem pelo programa e tiverem produtos com potencial de internacionalização, este é um caminho. E vice-versa”, explica o CEO.

Fundação, não montadora

A Toyota Mobility Foundation é uma organização global sem fins lucrativos criada pela Toyota Motor Corporation em 2014. Palmieri faz questão de separar as estruturas: a fundação, a Fundação Toyota do Brasil e a montadora são organizações distintas. Embora haja interlocução entre elas, participar do programa não significa que as tecnologias serão incorporadas aos produtos ou às operações da Toyota. O Onovolab pretende apresentar as soluções ao grupo e a outros potenciais parceiros, conforme a aplicação de cada uma.

Na frente acadêmica, a estratégia é aproximar as startups de laboratórios e grupos de pesquisa da USP e da UFSCar, com quem já há articulações, e levar ao mercado pesquisas que ficaram nas universidades. “Nosso grande objetivo é tirar das universidades invenções e pesquisas que já estão prontas, mas ainda não chegaram ao mercado”, afirma Rogado.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!