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Engemon economiza R$ 1,3 mi e reduz em 73% tempo com BIM em projeto

A Engemon identificou cerca de R$ 1,3 milhão em economias diretas e antecipou aproximadamente 1,5 mil interferências entre disciplinas de engenharia em um projeto por meio da adoção do Building Information Modeling (BIM). A metodologia também reduziu em 73% o tempo de levantamento de quantitativos em comparação com processos manuais tradicionais.

Os resultados colocam a empresa entre as que já transformaram a familiaridade com BIM em ganhos concretos de produtividade, um passo que o setor ainda enfrenta dificuldades para dar. Pesquisa divulgada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em agosto de 2026, com base em 4.164 respostas válidas da edição de 2024, mostrou que mais de 95% dos profissionais têm familiaridade com a metodologia e 77,1% avaliam seus impactos positivamente. Ainda assim, apenas 33,8% chegaram a realizar alguma experimentação concreta, enquanto 56,7% permanecem na etapa inicial de descoberta. O mesmo levantamento registrou que 90,6% dos profissionais relatam desvios recorrentes de prazo e orçamento nos projetos em que atuam.

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Economias no projeto analisado

No projeto detalhado pela empresa, a reengenharia da estrutura metálica gerou aproximadamente R$ 900 mil em economia. Outros R$ 400 mil vieram da otimização do projeto de luminárias. Juntos, os ganhos diretos corresponderam a cerca de 5,2% do valor do contrato. Estimativas internas da companhia apontam que os impactos totais, considerando produtividade, materiais e redução de retrabalho, podem alcançar patamares ainda maiores conforme as características de cada empreendimento.

Na Engemon, o BIM integra informações de arquitetura, estruturas, elétrica, hidráulica e demais disciplinas antes que as soluções cheguem ao canteiro. Nessa etapa de compatibilização, conflitos que gerariam alterações, desperdícios e horas adicionais de trabalho são identificados digitalmente. No projeto em questão, foram tratadas cerca de 1,5 mil incompatibilidades ainda na fase de projeto, reduzindo a necessidade de interromper obras, remobilizar equipes ou refazer serviços.

“O verdadeiro ganho do BIM não está apenas em visualizar uma construção em três dimensões. Ele está na capacidade de tomar decisões antes que um problema chegue à obra. Quando conseguimos antecipar uma incompatibilidade, estamos evitando horas de trabalho, desperdício de materiais, alterações de cronograma e custos que surgiriam somente durante a execução”, afirma Pedro Henrique, coordenador de projetos da Engemon.

O levantamento de quantitativos de materiais, extraído dos modelos digitais, atingiu precisão próxima de 98%, segundo dados internos da companhia.

BIM em 20 obras e 700 usuários

A aplicação se estende além das equipes de projeto. A Engemon opera mais de 20 obras com um Ambiente Comum de Dados, conhecido pela sigla CDE (Ambiente Comum de Dados), com cerca de 700 usuários. A estrutura centraliza informações para engenheiros, projetistas, gestores e profissionais em campo, que por tablets ou computadores podem visualizar modelos, consultar projetos e pranchas, realizar medições e acessar dados técnicos. A centralização também reduz o risco de execução com versões desatualizadas de documentos.

“A transformação digital da engenharia só gera resultado quando a tecnologia chega efetivamente às pessoas que tomam decisões e executam o projeto. Por isso, além de desenvolver modelos, é necessário integrar informações, padronizar processos e capacitar as equipes de campo para utilizar esses dados no dia a dia da obra”, diz Pedro Henrique.

A capacitação é um gargalo reconhecido pelo setor; 99% dos participantes da pesquisa do Confea apontaram necessidade de formação relacionada à transformação digital. Na Engemon, 11 profissionais já concluíram certificação internacional da buildingSMART e outros dez têm conclusão prevista até o fim de setembro de 2026. Mais de 30 colaboradores do departamento também passaram por treinamentos em ferramentas aplicadas ao BIM.

BIM nas políticas públicas

A metodologia também ganhou espaço na política nacional para a construção. A Lei nº 14.133/2021 estabelece que o BIM deve ser preferencialmente adotado nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, quando adequado ao objeto. Em 2024, o governo federal instituiu a nova Estratégia BIM BR, com objetivos de ampliar a difusão da metodologia, estimular a capacitação profissional, incentivar investimentos públicos e privados e fomentar seu uso na construção industrializada e sustentável.

Para a Engemon, o avanço regulatório sinaliza uma mudança estrutural; o BIM deixa de ser associado apenas à modelagem tridimensional para assumir função de gestão de informações ao longo de todo o ciclo do empreendimento, do projeto à execução e, futuramente, à operação e manutenção dos ativos.

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