
A Binance detalha nesta terça-feira (3) como hackers conseguiram roubar US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da maior exchange de criptoativos do mundo, em um ataque que começou meses antes da invasão e durou quase quatro horas até a última transferência não autorizada.
O esquema, o maior assalto financeiro já registrado, envolveu entrevistas de emprego falsas, software adulterado escondido em um anúncio publicitário e o comprometimento progressivo dos computadores de três engenheiros da empresa. A Reuters noticiou os detalhes com base no relatório inicial divulgado pela Binance.
O Federal Bureau of Investigation (FBI) atribuiu o ataque a um grupo de hackers norte-coreanos. A Coreia do Norte rejeitou a acusação.
Como o ataque foi planejado
A operação teve início em junho de 2026, quando um funcionário da equipe responsável pelo desenvolvimento de carteiras digitais baixou da internet uma ferramenta que havia sido adulterada por hackers. Segundo a Binance, a versão maliciosa do programa foi inserida em um anúncio publicitário, o que fez com que ela aparecesse acima do arquivo legítimo nos resultados de um mecanismo de busca. A exchange disse ter detectado a ação, substituído o equipamento e alterado as credenciais, mas o papel desse funcionário e de outros da equipe foi exposto.
Em setembro, um segundo engenheiro de software que buscava um novo emprego baixou em seu computador um “repositório de código malicioso” após participar de um processo seletivo que parecia legítimo, incluindo uma entrevista virtual com o suposto diretor-presidente de uma empresa fictícia.
No dia 20 de outubro, o atacante usou o computador comprometido do segundo engenheiro, combinado com uma ferramenta interna de inteligência artificial (IA), para assumir o controle dos sistemas de dois desenvolvedores de carteiras. Nove dias depois, com credenciais roubadas do primeiro desenvolvedor, um script malicioso foi acionado para disparar o ataque definitivo.
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O roubo em quatro minutos
O assalto ocorreu em 29 de outubro. Em apenas quatro minutos, 233,46 milhões de XRP, uma criptomoeda, foram transferidos de cinco carteiras quentes da Binance, que são aquelas conectadas à internet, para um endereço controlado pelos atacantes. Na sequência, outras criptomoedas, incluindo bitcoin, também foram retiradas.
Ao receber um alerta interno sobre as transferências, a Binance suspendeu saques, congelou tokens afetados e removeu permissões não autorizadas, o que resultou em cerca de US$ 2,85 bilhões em ativos bloqueados. Ainda assim, a suspensão de saques não foi suficiente para interromper todos os movimentos não autorizados. Os atacantes usaram 50 transações de assinatura para manipular a conta, enquanto a exchange precisou construir novos procedimentos para revogar autorizações, o que freou a resposta.
A última transferência não autorizada ocorreu às 23h56 do horário de Greenwich (GMT), quase quatro horas após o início do ataque.
Reação e medidas da Binance
A empresa afirmou que está reembolsando todos os clientes que tiveram fundos roubados e que recompôs 95% dos tokens até o momento. O volume de saques, que teve um pico nas primeiras 24 horas após a reabertura no domingo, já se normalizou, segundo a exchange.
A Binance disse ter identificado e bloqueado 57 ameaças cibernéticas atribuídas à Coreia do Norte em 2026. Para Michael Barnhart, pesquisador da empresa de cibersegurança DTEX, o dado mostra que a Binance “simplesmente está sendo bombardeada” por tentativas de ataque.
Como resposta ao incidente, a exchange anunciou que vai ampliar investimentos em sistemas de detecção baseados em IA, criar um fundo de pesquisa em segurança e estabelecer iniciativas com empresas líderes do setor de inteligência artificial.
“Isso não deveria ter acontecido, e pedimos desculpas pela preocupação, perturbação e incerteza que causamos a nossos usuários, parceiros e ao setor como um todo”, diz a Binance em seu relatório.
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