
“Sustentabilidade não é acessório; é arquitetura”. É o que acredita Cíntia Scovine Barcelos, CTO do Bradesco e vencedora da categoria Sustentabilidade – CIO do Executivo de TI do Ano. Na prática, isso significa que cada jornada digital do banco nasce com metas explícitas de eficiência, FinOps e redução de impacto ambiental, do consumo computacional ao deslocamento físico de clientes e colaboradores. “Tecnologia só tem sentido quando reduz carbono, elimina atritos e amplia direitos”, resume.
No Bradesco, o primeiro requisito de qualquer caso de uso de IA é o orçamento energético dele. Quantos ciclos de CPU e GPU consome, por quanto tempo, em qual infraestrutura e com qual taxa de reaproveitamento. Esse rigor, apoiado por uma comunidade interna de otimização, tem dois efeitos: comprime custos e, principalmente, diminui a pegada de carbono da operação. As tribos de negócios e TI carregam indicadores de eficiência computacional contínua, reduzindo uso de recursos sem comprometer desempenho.
A TI vem atualizando a infraestrutura crítica com foco em resfriamento mais inteligente, menor dependência de ar-condicionado, nobreaks de maior eficiência e automação de workloads. A
o mesmo tempo, há um esforço de “software verde”, códigos e modelos são versionados não só por acurácia, mas por consumo energético e latência. A modernização do legado prioriza arquiteturas que reduzem chamadas redundantes, aumentam cache e diminuem tráfego, pequenas escolhas técnicas que, somadas, derrubam o gasto energético por transação.
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Desmaterializar para incluir
Com 99% das transações em canais digitais, o banco reduz emissões associadas a deslocamentos até agências e o uso de papel, mobiliário e energia de espaços físicos. Mas desmaterializar, aqui, também é incluir: a assistente BIA orienta a navegação de quem tem baixa familiaridade digital (ou acessa apenas o WhatsApp), e o atendimento remoto resolve demandas antes presenciais. Menos filas, menos transporte, mais acesso. Sustentabilidade social e ambiental caminham juntas.
A plataforma proprietária BRIDGE (Bradesco Inteligência de Dados Generativa) foi concebida como infraestrutura comum e reutilizável. Em vez de dezenas de soluções paralelas, times consomem blocos prontos de dados, segurança, modelos e integrações. O ganho é direto: menos desenvolvimento duplicado, menos energia para treinar/operar componentes equivalentes, mais longevidade de builds. A multicloud favorece alocação na região/serviço mais eficiente para cada workload, evitando desperdícios e lock-in tecnológico que encarece e “aquecem” a operação.
Sustentabilidade também é democratizar o crédito com responsabilidade. O Renda BRA 5.0, criado após a aquisição da Kunumi, estima renda com dados tradicionais e alternativos para oferecer taxas mais justas, especialmente a quem vive de renda informal. Ao reduzir assimetrias de informação e vieses de exclusão, a solução expande inclusão financeira sem inflar risco sistêmico. É um caso em que o “S” do ESG sustenta o “E”: decisões melhores evitam retrabalho, inadimplência e consumo computacional desnecessário em ciclos de análise.
A governança de IA reúne tecnologia, compliance e negócio para definir guardrails éticos e de segurança desde o design. Esse arranjo evita experimentos que nascem “caros e ocos”: modelos treinados sem propósito claro, prompts inseguros ou pipelines que replicam dados sem necessidade. Testes “friends & family”, rollouts graduais e auditoria de métricas (inclusive energéticas) compõem um método que prioriza impacto real e previne emissões “invisíveis” de TI.
Nada disso se sustenta sem gente preparada. Programas de re/upsKilling (como a Tech Academy) formam times capazes de escrever histórias de usuário e código pensando em performance, consumo e reuso. A diversidade do time, de gênero a faixas etárias, ajuda a reduzir vieses nos modelos e melhora a leitura de jornadas em diferentes contextos socioeconômicos, um pilar essencial da sustentabilidade.
A estratégia AI First do Bradesco mostra que eficiência climática é, antes de tudo, excelência operacional: menos camadas desnecessárias, mais reuso, menos watts por resposta útil. Ao tornar a BRIDGE a estrada comum, a BIA o concierge inclusivo e o Renda BRA 5.0 um padrão de crédito mais justo, Cíntia prova que TI pode ser alavanca de valor ambiental e social, e que o “valor verde” da transformação digital aparece tanto no inventário de carbono quanto no demonstrativo de resultados. “Nossa ambição é ser uma empresa AI First, e muito já foi feito nessa direção. Investimos muito nos alicerces para escala”, encerra.
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