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Pedro Waengertner e Mateus Quelhas, da ACE Ventures | Foto: Divulgação
Pedro Waengertner e Mateus Quelhas, da ACE Ventures | Foto: Divulgação

Enquanto boa parte dos programas de aceleração no Brasil ainda é desenhada para ajudar startups locais a se internacionalizar, a ACE Ventures decidiu inverter a lógica. Em parceria com a gener8tor, uma das maiores aceleradoras do mundo, a gestora quer posicionar o país como uma oportunidade concreta de crescimento para startups globais.

O movimento nasce em um contexto pouco favorável à primeira vista. O Brasil recebeu nota 9 de 10 no Global Business Complexity Index 2025, elaborado pela TMF Group, figurando entre os países mais complexos do mundo para fazer negócios. Na prática, isso significa que empresas estrangeiras costumam gastar mais de metade do tempo inicial lidando com vistos, registros, obrigações legais e estruturação operacional.

Para Pedro Waengertner, CEO e fundador da ACE Ventures, a ideia é mostrar, na prática, que existe um mercado sofisticado, com demandas concretas e alto potencial de escala no país.

A primeira edição do programa vai mirar um dos principais segmentos da economia brasileira: o de agricultura e sustentabilidade. O desenho do programa foi construído a partir de conversas recorrentes com empreendedores e parceiros nos Estados Unidos, conta Mateus Quelhas, sócio e diretor de Business Transformation da ACE. Atualmente, ele está baseado em Indianápolis, no estado de Indiana, que faz parte do Cinturão do Milho – região no centro-oeste dos Estados Unidos que domina a produção local de grãos.

“Nosso foco é ajudar startups alto crescimento a potencialmente abrir operações no Brasil. Mas não apenas isso. Elas podem sair como parceiras comerciais, podem ter tecnologias que sejam implementadas no mercado brasileiro. Nosso grande objetivo é fomentar essa troca e dar ferramental”, explica Mateus.

Segundo ele, o programa Softlanding Brazil – Powered by ACE Ventures and gener8tor foge do formato tradicional de internacionalização e aposta em relacionamento, entendimento de mercado e construção de conexões orientadas a resultado.

Os investidores acrescentam que o agro é um dos mercados mais complexos para startups de fora, por ser uma cadeia longa, com dinâmica própria e cultura muito específica, que exige adaptação dos founders estrangeiros.

“Existe um intercâmbio necessário de habilidades. O Brasil é relacionamento puro, especialmente em um setor como o agro. E a gente precisa preparar essas empresas para isso”, diz.

Fundada em 2012, inicialmente como aceleradora, a ACE Ventures já realizou mais de 150 investimentos, com 32 exits. O portfólio da gestora inclui diversas startups do agronegócio, como a plataforma de gestão agrícola agrointeli, a plataforma de inteligência para agro DigiFarmz, a JetBov, de monitoramento de pasto, entre outras.

“Nós sabemos como levar os empreendedores à porta do cliente e comunicar de maneira efetiva. Conseguir esse fast track para as startups globais pode trazer um dinamismo maior para o mercado de agro, que é tão vasto no Brasil. Existe muita possibilidade de colaboração”, avalia Pedro Waengertner.

Como vai funcionar

O programa vai selecionar cinco startups norte-americanas, cada uma com até dois representantes. A jornada começa com seis semanas de preparação online, com encontros semanais sobre cultura de negócios no Brasil, estratégia de go-to-market, parcerias locais, regulação, finanças e captação de recursos.

Na sequência, as equipes vêm ao país para uma imersão presencial de sete a dez dias, concentrada em São Paulo e região, com agendas que incluem reuniões com grandes corporações de agro e sustentabilidade, encontros com investidores e fundos locais, visitas a hubs de inovação, universidades, startups brasileiras e interações com instituições públicas e centros de pesquisa.

O encerramento da etapa presencial acontece em um evento voltado a networking qualificado, reunindo investidores, executivos corporativos e líderes do ecossistema de inovação.

Após a imersão, as startups seguem acompanhadas por mais seis meses, com mentorias quinzenais, apoio na construção de um plano operacional e acompanhamento da evolução dos KPIs definidos de forma personalizada com cada empresa. Os mentores incluem investidores, empreendedores e executivos que já passaram por processos de internacionalização.

O post ACE Ventures e gener8tor querem atrair startups dos EUA ao Brasil apareceu primeiro em Startups.