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Sócios da Adianta Jus | Foto: Divulgação
Sócios da Adianta Jus | Foto: Divulgação

Existem milhares de pessoas com processos judiciais contra os Correios que aguardam há anos para receber a quantia devida. São funcionários, ex-funcionários e pensionistas, por exemplo, que esperam por esses pagamentos, em alguns casos, há mais de 30 anos. A Adianta Jus viu nesse cenário um mercado promissor.

A fintech, especializada na compra de precatórios e direitos creditórios, passou a operar com créditos relacionados aos Correios depois que a estatal pediu, no fim do ano passado, a postergação do pagamento de sua fila de precatórios.

Segundo estudos da Adianta Jus, a suspensão e reprogramação dos pagamentos dos precatórios dos Correios impacta mais de 2 mil credores e envolve aproximadamente R$ 1,8 bilhão em valores.

“Basicamente a gente está falando de uma dívida que tem atraso médio de mais ou menos 13 anos. Sendo o mais antigo de 2002, pelo que a gente viu. A gente acredita que pode prover um serviço para essas pessoas, que é receber esse dinheiro à vista hoje e não ficar exposto a essas postergações”, explica José Werneck, sócio-fundador da Adianta Jus

A entrada no mercado de precatórios dos Correios vem poucos meses depois de a Adianta Jus anunciar uma parceria com o Mercado Bitcoin (MB) para ampliar o acesso a esse tipo de produto ao investidor de varejo por meio da plataforma.

Segundo José, porém, o investimento nos precatórios dos Correios não entra no rol de produtos oferecidos por meio do MB. Essa modalidade será ofertada apenas a investidores institucionais.

Fundada em 2025, a Adianta Jus espera crescer 4,5 vezes em número de operações e 4 vezes em receita neste ano na comparação ao ano passado. A projeção da empresa é atingir R$ 4 milhões em receita e fechar 380 operações de compra de precatórios ao longo de 2026.

A companhia saiu de 5 para 15 funcionários, incluindo os quatro sócios, em pouco mais de um ano, e planeja seguir em modelo boostrapped, sem levantar rodadas de venture capital. Os recursos para a compra dos precatórios vem de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).

Como funciona

Na prática, a Adianta Jus compra do credor o direito de receber o precatório, pagando à vista um valor menor do que o total devido (o chamado deságio) e assumindo, a partir daí, o risco e o tempo de espera da cobrança junto aos Correios.

Hoje, esse deságio fica em cerca de 40% do valor devido. Após a cessão, o pagamento cai na conta do credor em até cinco dias úteis.

Do lado de quem investe, o retorno vem tanto do deságio, quanto de uma correção pelo IPCA mais 2% ao ano. O ganho também está na capacidade da Adianta Jus de mapear a fila de pagamentos da estatal, identificando quais credores têm prioridade legal para receber primeiro — como pessoas idosas, por exemplo — e estimando com mais precisão quando cada precatório será efetivamente quitado.

Para os próximos dois ou três anos, a Adianta Jus planeja expandir a atuação para outros tipos de processos, como ações trabalhistas e discussões consumeristas.

O post Adianta Jus entra no mercado de precatórios dos Correios apareceu primeiro em Startups.