
A inteligência artificial deixa de ocupar o campo das apostas futuras para assumir papel central na estratégia das empresas de consumo. Essa é a principal mensagem apresentada por Valter Andrade, diretor-executivo de ciência de dados e inteligência artificial da Visa no Brasil, durante o IT Forum Na Mata, realizado em Itapevi (SP).
Segundo o executivo, a discussão sobre IA já não deve se concentrar na adoção da tecnologia, mas em sua aplicação direta aos objetivos de negócio. “Você não precisa de uma estratégia de IA; precisa de inteligência artificial para executar a sua estratégia”, afirma. Para ele, a velocidade de execução passa a ser uma das principais vantagens competitivas em um mercado globalizado.
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Andrade destaca que o uso de inteligência artificial pela Visa antecede o atual ciclo da IA generativa. A empresa já utiliza redes neurais para detecção de fraudes desde 1993, em um cenário tecnológico ainda limitado.
Hoje, a rede global da companhia processa cerca de 310 bilhões de transações por ano. Nos últimos cinco anos, a Visa investe US$ 10 bilhões em tecnologia e inovação, dos quais US$ 500 milhões são direcionados especificamente à inteligência artificial.
De acordo com o executivo, mais de cem modelos de IA operam simultaneamente para analisar transações em milissegundos, o que contribui para evitar aproximadamente US$ 40 bilhões em fraudes em todo o mundo apenas no último ano.
Consumidor brasileiro acelera adoção
O Brasil aparece como um dos mercados mais abertos ao uso de IA no consumo. Dados do estudo global Holiday Spending Shift Survey 2025, encomendado pela Visa e conduzido pela consultoria Morning Consult indicam que 7 em cada 10 brasileiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial para apoiar decisões de compra, como a escolha de presentes ou comparação de produtos.
Esse comportamento, segundo Andrade, prepara o terreno para a próxima etapa do comércio digital: os agentes autônomos. Diferentemente dos assistentes virtuais tradicionais, esses sistemas podem negociar preços, comparar opções e concluir transações de forma independente.
“Os agentes e a nova experiência de IA estão prestes a mudar a forma como o consumidor compra, paga e interage com as empresas”, diz.
Novas fraudes exigem novas defesas
O avanço da inteligência artificial também amplia os riscos no sistema financeiro. Tecnologias capazes de simular voz e imagem tornam fraudes de identidade mais sofisticadas, pressionando empresas a reforçar mecanismos de segurança.
Entre as respostas da indústria estão estratégias de proteção em múltiplas camadas e o uso crescente de biometria comportamental, que analisa padrões de interação do usuário para validar identidades sem comprometer a experiência digital.
Ao encerrar a apresentação, Andrade compara o momento atual da tecnologia à evolução da computação pessoal nos anos 1990, quando a instalação de sistemas operacionais exigia dezenas de disquetes.
Na avaliação do executivo, o profissional de tecnologia passa por transformação semelhante: tarefas operacionais tendem a ser automatizadas, enquanto cresce a demanda por funções ligadas à supervisão, governança e curadoria de sistemas inteligentes.
Para ele, o futuro do varejo e da logística até 2030 depende da capacidade das empresas de combinar automação avançada com tomada de decisão humana.
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