
Ao longo de 20 anos de carreira, um dos primeiros desafios de Alaine Charchat foi conciliar a busca por uma posição de liderança com sua essência. “Você acha que é preciso ser talvez autoritária e, sendo mulher, eu acreditava que tinha de me impor. Levei um tempo para compreender que não precisava deixar de ser quem sou para ser respeitada”, revela a executiva, que assumiu um cargo de gestão logo cedo.
Hoje, à frente de um time regional de 90 colaboradores no Brasil, Colômbia, México e Chile, na Reckitt, ela imprime uma marca de liderança transparente, com propósito e união. Sua preocupação com as pessoas é o alicerce da sua gestão.
“É uma liderança de muito propósito e humanizada. O que mais fortalece a equipe é minha preocupação real com as pessoas, é algo genuíno”, comenta, emocionada, a diretora para a América Latina de Tecnologia da Informação.
Assim, ela investe no desenvolvimento dos seus funcionários, oferecendo desafios e oportunidades de crescimento, e se empenha em construir um ambiente de trabalho onde todos se sintam seguros para contribuir.
Alaine iniciou sua jornada em tecnologia muito jovem, por influência familiar, em um curso técnico de informática. No entanto, uma experiência de assédio em seu primeiro estágio acabou pesando na decisão de trocar a faculdade de Ciências da Computação pelo Marketing. Essa transição foi decisiva para sua trajetória. “O marketing me ajudou a encontrar caminhos mais satisfatórios na tecnologia, conectando-me com as necessidades do negócio, o que me tornou uma profissional híbrida, com habilidades técnicas e comerciais”, explica.
Sua visão diferenciada a impulsionou em grandes multinacionais como Unilever, Diageo e Johnson & Johnson. Na Reckitt desde 2022, Alaine lidera um projeto de transformação digital que resultou na identificação de 250 mil horas de ineficiência e na criação de um roteiro de automação, culminando na implementação de três casos de uso de inteligência artificial. Um desses projetos, inclusive, rendeu o prêmio Executivo de TI do Ano.
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A liderança baseada no engajamento reflete nos resultados da sua equipe. Mesmo em meio aos desafios de um processo de spin-off na empresa, o time da CIO manteve um turnover de 0% ao longo de um ano. “Trabalho muito para desenvolver uma liderança forte e um time unido.”
Com uma equipe formada por 45% de mulheres, a executiva acredita que a IA pode ser uma poderosa aliada para combater a desigualdade de gênero. “Algoritmos podem buscar competências e conhecimento sem levar em consideração gênero, raça ou orientação sexual, dando mais oportunidades para mulheres”, diz, destacando como a tecnologia pode tornar os processos de seleção mais transparentes e imparciais.
Em sua trajetória, Alaine aprendeu a ser resiliente. Tanto como mulher na tecnologia, precisando se provar constantemente e lidar com preconceitos, quanto para se manter atualizada sobre as novas tendências em uma área em constante transformação. “Muitas vezes deixei o medo me paralisar e, com o tempo, fui aprendendo a me posicionar. Por isso, sempre encorajo as pessoas a acreditarem no seu potencial, a romperem essas barreiras para se desenvolverem.”
Mãe de um menino de quatro anos, Alaine se tornou mãe aos 40. “Não tenho vergonha de falar isso, porque precisei dedicar muito tempo à minha carreira. Engravidei justamente quando me tornei diretora pela primeira vez.” Ela ressalta que foi muito apoiada nesse processo, inclusive recebendo uma promoção na Johnson & Johnson durante a licença-maternidade.
A jornada dupla como mãe e CIO só é possível com o apoio do marido, o que ela reconhece não ser a realidade de muitas mulheres. Ela recorda as primeiras viagens a trabalho e o receio de ser julgada por deixar o filho. “Com o tempo, aprendi a lidar com isso e entendi algo fundamental: para ser uma boa mãe, é importante que eu também seja feliz profissionalmente”, compartilha sobre a busca pelo seu equilíbrio.
Guiada por um propósito, Alaine também se dedica a ajudar outras mulheres a se fortalecerem no mercado de trabalho. Como membro voluntária das associações MCIO e Conselheiras do Brasil, doa seu tempo para orientar mulheres em transição de carreira. “Ofereço meu tempo em momentos tão difíceis para que elas se sintam acolhidas e fortalecidas. Meu propósito é apoiar essas mulheres para que acreditem em seu potencial e possam chegar cada vez mais longe.”
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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