
A Alphabet, controladora do Google, planeja levantar US$ 80 bilhões por meio da venda de ações para financiar a expansão da sua infraestrutura de inteligência artificial (IA), segundo informações divulgadas pela companhia e reportadas pela Reuters.
A operação inclui investimento de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway, conglomerado associado a Warren Buffett, e ocorre em meio ao aumento dos custos de computação necessários para sustentar serviços de IA, nuvem e chips customizados.
De acordo com a Reuters, a Alphabet informou que pretende vender US$ 10 bilhões em ações à Berkshire em uma colocação privada. A operação será dividida entre US$ 5 bilhões em ações ordinárias Classe A, ao preço de US$ 351,81 por ação, e US$ 5 bilhões em ações Classe C, ao preço de US$ 348,20 por ação. Os valores ficaram abaixo dos preços de fechamento registrados na última segunda-feira, segundo a agência.
A captação ocorre depois de a Alphabet elevar, em abril, sua previsão anual de gastos de capital em US$ 5 bilhões, para uma faixa entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. A empresa vem ampliando investimentos para atender à demanda por capacidade computacional associada a ferramentas de IA para empresas e consumidores, além de infraestrutura em nuvem e desenvolvimento de chips próprios.
A Reuters informou que a companhia pretende levantar US$ 30 bilhões em ofertas públicas simultâneas, apoiadas por bancos de investimento. Essa etapa será dividida entre ações depositárias vinculadas a papéis preferenciais conversíveis obrigatórios e ações Classe A e Classe C. Além disso, a Alphabet planeja lançar, no terceiro trimestre, um programa de venda gradual de ações no mercado, conhecido como at-the-market, no valor de US$ 40 bilhões.
Demanda por IA supera capacidade disponível, diz Alphabet
Segundo a Reuters, a Alphabet afirmou que a demanda por suas soluções e serviços de IA, tanto por empresas quanto por consumidores, está acima da capacidade atualmente disponível.
A necessidade de ampliar infraestrutura tornou-se um dos principais fatores por trás da nova captação, em um momento no qual grandes empresas de tecnologia disputam capacidade de data centers, energia, chips e plataformas de IA.
A entrada adicional da Berkshire Hathaway também amplia a exposição do conglomerado à Alphabet. A Reuters informou que a Berkshire já havia aumentado sua posição na controladora do Google desde o terceiro trimestre do ano passado. No mês anterior, a companhia informou que mais do que triplicou sua participação na Alphabet, que chegou a US$ 16,6 bilhões, tornando-se um de seus maiores investimentos em ações ordinárias.
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Analistas ouvidos pela Reuters avaliaram a operação como um sinal relevante para o mercado. Steven Check, presidente e diretor de Investimentos da Check Capital Management, afirmou à agência que empresas costumam ver a Berkshire como um acionista desejável.
Bill Stone, diretor de Investimentos da Glenview Trust Company, disse à Reuters que a nova compra indica a confiança de Greg Abel, CEO da Berkshire, na capacidade da Alphabet de obter retorno com seus gastos em infraestrutura de IA, mesmo com a emissão de novas ações.
A Alphabet também informou que levantou mais de US$ 85 bilhões em dívida em seis moedas e mercados ao longo do último ano, elevando seu saldo total de endividamento para mais de US$ 100 bilhões, de acordo com a Reuters.
Esse movimento mostra o tamanho das necessidades de financiamento associadas à expansão da infraestrutura de IA, área que exige data centers, capacidade energética, redes, servidores e semicondutores em escala global.
As ações da Alphabet caíram 2% no after-market após o anúncio, segundo a Reuters. A reação ocorreu diante da perspectiva de emissão adicional de ações, que pode diluir investidores existentes, embora a companhia tenha indicado que os recursos serão direcionados ao financiamento de sua expansão em IA e infraestrutura tecnológica.
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