
A Amazon já tinha no Leo um produto para tentar desbancar a Starlink, de Elon Musk, na liderança do mercado de internet via satélite. Agora, a empresa de Jeff Bezos resolveu apostar alto para se fortalecer nessa competição. Ela anunciou nesta terça (14) a aquisição da Globalstar em um negócio avaliado em aproximadamente US$ 11,6 bilhões.
Pelos termos do negócio, cujos rumores já estavam em circulação nos últimos dias, os acionistas da Globalstar poderão optar por receber US$ 90 dólares ou o equivalente em ações da Amazon, um prêmio de 23,5% sobre o preço de fechamento da segunda-feira.
A conclusão do negócio está prevista para 2027, sujeita a aprovações regulatórias, e já conta com o aval de aproximadamente 58% do poder de voto combinado da Globalstar, segundo reportou a Reuters.
Junto com o anúncio da aquisição veio outro acordo, igualmente relevante. Amazon e Apple firmaram um contrato separado para que o Leo e sua rede de satélites de baixa órbita continue alimentando os recursos de satélite do iPhone e do Apple Watch — incluindo o SOS de Emergência via satélite, o Mensagens, o Buscar e a Assistência em Estrada.
A Globalstar fornece esses serviços para iPhone 14 e modelos posteriores e para o Apple Watch Ultra 3, numa parceria sustentada pelo investimento de US$ 1,5 bilhão que a Apple fez na empresa em 2024. A operação deu à fabricante do iPhone cerca de 20% do capital da Globalstar e direitos sobre 85% da capacidade de rede. Esse arranjo com a Apple era exatamente o nó que precisava ser desatado antes de qualquer aquisição avançar.
A Globalstar, que opera há mais de 30 anos, atingiu o lucro em 2025 com receita de US$ 273 milhões de dólares. O CEO Paul Jacobs enquadrou o negócio como a culminação natural da visão de longo prazo da empresa de conectar usuários em qualquer lugar, a qualquer hora.
Segundo analistas, o que a Amazon está comprando, na prática, é espectro e tempo. A Globalstar detém licenças de espectro nas bandas L e S harmonizadas globalmente, frequências de rádio que não podem ser replicadas simplesmente lançando mais satélites e que são essenciais para os serviços direto ao dispositivo (D2D), capazes de alcançar um celular diretamente de um satélite, sem hardware especializado.
Com a Globalstar, a Amazon herda também uma rede de infraestrutura terrestre com 24 gateways espalhados pelo mundo e licenças em mais de 120 países, algo que comprime anos de desenvolvimento interno numa única transação.
É aí que entra o próximo estágio de uma possível competição entre Amazon Leo e a Starlink. Atualmente, o Leo opera hoje com cerca de 180 a 200 satélites em órbita. Já o negócio de Elon Musk, tem mais de 10 mil.
Contudo, a Amazon já havia comprometido aproximadamente US$ 17 bilhões em capital para construir o Leo e estava sob pressão da FCC por um prazo de implantação previsto para meados de 2026. A partir de 2028, o Leo passará a operar sua própria rede D2D de nova geração, projetada para entregar voz, dados e mensagens diretamente para celulares e dispositivos móveis com eficiência espectral significativamente superior aos sistemas atuais.
Com a frota de satélites existente da Globalstar, mas os novos que estão sendo fabricados pela parceira MDA Space, a Amazon quer estabelecer uma infraestrutura unificada de D2D e banda larga, capaz de atender centenas de milhões de pontos de acesso globalmente.
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