
A América Latina deve receber cerca de US$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura digital até 2030, segundo estimativas apresentadas durante o Capacity LATAM 2026. O volume coloca a região no radar de grandes empresas de tecnologia e data centers, ao mesmo tempo em que expõe gargalos regulatórios que ainda limitam o avanço desses projetos, especialmente no Brasil.
O tema foi central no painel Investment Keynote, que reuniu executivos e especialistas para discutir o papel da região na estratégia das chamadas hyperscalers. A avaliação é que países como Brasil, Chile e Colômbia deixaram de ser mercados secundários e passaram a ocupar posição relevante na expansão global dessas empresas.
Disputa por dados e infraestrutura
Mais do que o volume de investimento, o debate gira em torno da localização da infraestrutura que sustenta a economia digital. A decisão sobre onde os dados são processados impacta diretamente o desempenho de aplicações, custos operacionais e requisitos regulatórios.
Nesse cenário, a América Latina começa a se consolidar como alternativa para expansão de data centers, impulsionada pela demanda crescente por inteligência artificial, serviços em nuvem e processamento em tempo real.
O Brasil aparece como um dos principais candidatos a receber esses investimentos, sobretudo pela disponibilidade de energia e pela predominância de fontes renováveis, fatores que ganham relevância à medida que o consumo energético dos data centers aumenta globalmente.
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Vantagem competitiva e limites estruturais
Apesar da vantagem energética, executivos apontam que o ambiente de negócios no Brasil ainda impõe barreiras relevantes.
O tempo de aprovação de licenças, a complexidade tributária e a falta de previsibilidade regulatória foram citados como fatores que dificultam o planejamento de projetos de grande escala, como a construção de novos data centers.
Rodolfo Macarrein, sócio da Altman Solon, destacou que a demanda por inteligência artificial na região ainda avança em ritmo inferior ao de mercados mais maduros, em parte devido à incerteza sobre incentivos e regras para o setor.
Executivos de empresas como Equinix e Takoda também apontaram que a expansão da capacidade instalada depende de decisões que exigem horizonte de longo prazo, o que se torna mais difícil em um ambiente regulatório instável.
Pressão por capacidade
A combinação entre crescimento da demanda e entraves estruturais levanta preocupações sobre a capacidade futura da região.
Segundo discussões no painel, há risco de descompasso entre a necessidade de processamento de dados e a infraestrutura disponível nos próximos anos, caso o ritmo de implantação de novos projetos não acompanhe a expansão da demanda.
Esse cenário tende a se intensificar com a adoção de aplicações mais intensivas em processamento, como inteligência artificial generativa, análise de dados em larga escala e serviços digitais em tempo real.
Competição global e posicionamento do Brasil
Além dos desafios internos, o Brasil disputa investimentos com outros mercados emergentes que têm avançado na criação de condições mais favoráveis para o setor.
A Índia foi citada como exemplo de país que tem acelerado a atração de projetos de tecnologia ao simplificar processos e incentivar a instalação de infraestrutura digital.
Ainda assim, o Brasil mantém atratividade. A combinação entre energia renovável, escala de mercado e relativa estabilidade geopolítica sustenta o interesse de empresas globais.
Entre potencial e execução
O debate no Capacity LATAM indica que a região reúne os principais elementos para se consolidar como polo de infraestrutura digital, mas depende de ajustes para transformar potencial em execução.
Para os executivos, o avanço passa por maior alinhamento entre demanda tecnológica e ambiente regulatório, especialmente no Brasil, onde a janela de oportunidade está aberta, mas condicionada à capacidade de acelerar decisões e reduzir incertezas.
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