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Bruno Schmidt e Joaquim Venancio, fundadores da Zenbild
Bruno Schmidt e Joaquim Venancio, fundadores da Zenbild (Imagem: Divulgação)

Em março de 2022, o Startups anunciou a compra da Noknox pelo QuintoAndar, por um valor não divulgado. Quatro anos depois, Joaquim Venancio, fundador da empresa adquirida, volta ao mercado com uma nova startup, criada ao lado de Bruno Schmidt (ex-BB e SideUP). Desta vez, o foco deixa os condomínios para atacar um dos maiores gargalos da construção civil: a comunicação.

A nova empresa, chamada Zenbild, nasce nos Estados Unidos com uma plataforma que utiliza inteligência artificial para traduzir automaticamente a comunicação entre equipes, capturar informações em campo e centralizar a gestão de obras.

“Nos canteiros de obra dos Estados Unidos, há muitos trabalhadores latinos que falam espanhol, vindos de países como Cuba, México e Colômbia. Isso cria uma barreira de idioma que frequentemente resulta em erros e mau entendimento das orientações passadas pelo construtor. O problema acaba gerando retrabalho e prejuízos financeiros. Foi aí que vimos a oportunidade de mudar esse cenário”, explica Joaquim, em entrevista ao Startups.

A escolha de estar nos Estados Unidos também foi estratégica. Antes de fundar a Zenbild, Joaquim entrevistou construtoras no Brasil e nos EUA e visitou canteiros de obras nos dois países para entender as principais dores do setor. Ao identificar um mercado maior e desafios de comunicação mais complexos, concluiu que fazia mais sentido construir a empresa já no mercado norte-americano. “É mais fácil escalar dos Estados Unidos para a América Latina do que fazer o caminho inverso”, ressalta.

A empresa iniciou a operação pela Flórida, onde, de acordo com o fundador, há forte presença de trabalhadores latinos e, consequentemente, uma demanda maior pela tradução entre espanhol e inglês. No futuro, a expectativa é avançar para outras regiões, como a costa oeste americana, adaptando a plataforma para novos idiomas.

“Quando você começa a olhar para a costa oeste, encontra muitos trabalhadores chineses. Imagine um canteiro de obras com pessoas falando mandarim outras falando inglês. Se não houver alguém no meio traduzindo, esse canteiro não roda”, pontua.

Apesar de enxergar uma demanda global para a plataforma, Joaquim afirma que a Zenbild não pretende acelerar a expansão internacional neste primeiro momento. A prioridade é consolidar a operação nos Estados Unidos antes de avançar para outros mercados, incluindo a própria América Latina.

Comunicação, gestão e IA para reduzir perdas

A Zenbild funciona como uma plataforma de comunicação voltada para general contractors, as empresas responsáveis por coordenar todas as etapas de uma obra. A solução reúne troca de mensagens, gestão de tarefas, compartilhamento de documentos e acompanhamento do andamento dos projetos em um único ambiente.

Já a inteligência artificial fica encarregada de capturar e organizar as informações geradas no canteiro de obras, reduzindo o trabalho manual e permitindo que gestores acompanhem o status dos projetos sem precisar buscar atualizações em diferentes canais.

O modelo de cobrança também se diferencia do adotado por muitos softwares corporativos. Em vez de cobrar por usuário, a Zenbild cobra US$ 49 por projeto ao mês, permitindo que todos os profissionais envolvidos na obra tenham acesso à plataforma. Como parte do lançamento, os 100 primeiros clientes terão direito a um desconto vitalício de 50% na assinatura.

“Nossa solução só funciona bem se todos os envolvidos usarem a plataforma. Se eu cobrar por usuário, o cliente tende a limitar os acessos e eu deixo de capturar informações importantes do canteiro”, explica.

Reunindo investidores

Apesar de já ter anunciado dois investidores, a Plug and Play Ventures e André Penha, cofundador do QuintoAndar, a Zenbild ainda está estruturando sua primeira rodada de investimentos, um pré-seed. A captação segue em andamento e novos nomes devem ser revelados nas próximas semanas, após a conclusão oficial da rodada.

Joaquim afirma que a empresa já tem recursos para dar os primeiros passos, mas pretende reforçar o caixa para acelerar o desenvolvimento do produto e a expansão comercial nos Estados Unidos.

Para ele, contar com a Plug and Play Ventures representa uma porta de entrada para o ecossistema norte-americano de venture capital e para grandes empresas do setor. Já a participação de André Penha funciona como uma validação da trajetória construída na Noknox e da relação desenvolvida durante o período em que atuou no QuintoAndar, após a aquisição da startup.

O post Após exit para o QuintoAndar, empreendedor cria startup para construtoras nos EUA apareceu primeiro em Startups.