
Gestora de venture capital especializada no segmento de saúde, a Aggir Ventures decidiu migrar para um novo modelo de investimento, focado em deals individuais, em vez de uma estrutura de portfólio – como fazem os fundos normalmente. A mudança vem depois de quase cinco anos operando com um veículo tradicional, de R$ 105 milhões, que ainda está em período de investimentos.
Sediada no Rio de Janeiro, a gestora levantou seu primeiro fundo em 2021, com a ideia de criar um ecossistema de investidores de saúde. Entre os LPs (Limited Partners), estão executivos e empresários do setor, além de famílias que fizeram seu patrimônio nesse segmento.
“Ao longo desses últimos anos a gente construiu muito conhecimento no setor de saúde. A partir do terceiro investimento, a gente percebeu que essas empresas precisavam de mais capital e que demorariam mais a sair. A gente olhava para o lado, nossos vizinhos estavam fazendo fintech, em dois, três anos você consegue ter uma saída, fazer uma secundária. Não é o que acontece em saúde, saúde demora. Na hora que eu faço deal by deal, as regras ficam mais claras para aquele investimento”, explica Nádia Armelin, co-fundadora e partner da Aggir Ventures, em entrevista ao Startups.
Atualmente, o Fundo 1 possui sete investidas. A ideia, segundo Nádia, é encerrar o ano com 10 investimentos. Os cheques, para esse veículo, ficam em torno de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões. Para os club deals, a casa entendeu que faria sentido ter participações maiores.
“A gente ainda está modelando isso, mas imagino que sejam veículos de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões”, acrescenta Nádia.
Por enquanto, porém, o foco da casa é terminar de investir com o primeiro fundo. O oitavo aporte deve ser anunciado em breve, e a Aggir busca mais dois até o final do ano.
O investimento mais recente da gestora foi na Covalenty, plataforma de cotação e compras para farmácias, em julho de 2015. Na ocasião, a startup levantou uma rodada de R$ 15 milhões, liderada pela Astella e pela Aggir, com participação de Iporanga, DOMO, 1616 e Stamina.
Outras investidas são a Salú, de saúde ocupacional; a Medway, referência em preparatórios para residência médica; a Nefroclínicas, grupo de clínicas de hemodiálise em Belo Horizonte; a Deepful, que usa IA para melhorar a eficiência dos representantes da indústria farmacêutica; e a Agora Consulta, plataforma de telemedicina com dispositivos de IoT que recentemente lançou um projeto com a Light para oferecer consultas a moradores de comunidades no Rio de Janeiro.
Captação e cenário macro
Para os novos veículos, a Aggir pretende esperar o segundo semestre para ir a mercado. Nádia acredita que a combinação de juros altos com a janela de IPOs fechada criou um ambiente adverso para o venture capital no Brasil, o que deve se manter pelo menos até as eleições. Além disso, muitos fundos ainda não devolveram capital aos investidores, reduzindo o apetite para novos aportes.
“Quando eu olho para o cenário, eu falo: vai ser difícil esse ano. Mas acredito que, com menos insegurança sobre o que vai acontecer, o apetite volta”, afirma.
No longo prazo, o otimismo prevalece. Nádia está convencida de que a inteligência artificial vai impactar o setor de saúde de forma mais profunda do que qualquer outro segmento. Soma-se a isso a melhora do marco regulatório brasileiro – com a aprovação recente do Marco Regulatório de Pesquisa Clínica, por exemplo, que deve abrir espaço para novas oportunidades em ensaios clínicos.
“Quem coloca dinheiro em venture capital é porque acredita bastante em inovação, e isso não muda. Eu estou muito otimista com o que vem por aí de inovação e tecnologia”, aponta.
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