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Sócios da Rise: Conrado Grandino, Vitor Delduque e Victor Freire | Foto: Divulgação

A Rise Finance, que se posiciona como um ecossistema de investimentos e inovação, acaba de estrear no mercado de Real World Assets (RWA) com o lançamento do BATS001, um token lastreado em instrumentos musicais. O produto foi desenvolvido em parceria com a BATS, empresa pioneira no aluguel de instrumentos por assinatura no Brasil.

O movimento vem na esteira de uma rodada pré-seed de R$ 3 milhões concluída em janeiro, que contou com investidores como Katia Moroni, uma das fundadoras do Banco Original, e o escritório jurídico CBA, responsável por redigir parte da regulação cripto do Banco Central.

Por trás da Rise está Vitor Delduque, co-founder e CRO da fintech, que vem de uma trajetória na área de tokenização do Mercado Bitcoin. Ele deixou o MB em 2024 e, junto com Caco Grandino e Vitor Freire, fundou a Rise Finance. A empresa nasceu com o propósito de levar produtos de finanças descentralizadas ao mercado tradicional de investimentos.

O BATS001 é o primeiro ativo de Real World Assets (RWA) da Rise. Estruturado como uma oferta de renda fixa digital, ele representa digitalmente uma Nota Comercial emitida pela BATS. Na prática, o investidor não está comprando um instrumento musical nem adquirindo participação societária na empresa. Está adquirindo um título da operação, com direito a receber juros mensais e, no vencimento, a devolução integral do principal. A operação conta ainda com garantia de penhor mercantil sobre o estoque de instrumentos da BATS.

A rentabilidade vem diretamente da operação da empresa: os recursos captados na oferta são usados para comprar novos instrumentos e equipamentos, que passam a gerar receita recorrente via locação e eventual venda. É desse fluxo operacional que saem os pagamentos mensais aos investidores.

A rentabilidade-alvo é de 1,476% ao mês, o equivalente a 19,23% ao ano, acima do CDI, que hoje está em aproximadamente 14,4% ao ano. O token é registrado em blockchain, o que garante transparência e rastreabilidade, e a operação segue a Resolução CVM nº 88.

“A Rise começou muito com esse intuito de facilitar a vida do investidor para entrar nesse mundo de investimentos que nem todo mundo conhece de maneira segura, regulada. Porque existe fraude para tudo que é lado. Mas dentro da blockchain você consegue deixar isso transparente, você consegue ver o seu dinheiro andando”, explica Vitor.

A tecnologia blockchain foi estruturada pela Dexcap, parceira estratégica do projeto. Segundo a Rise, o principal desafio foi justamente encontrar o formato ideal para o ativo, dado o modelo de negócio inovador da BATS. “O grande desafio foi equilibrar um modelo de negócio inovador com uma estrutura financeira sólida para o investidor. Conseguimos criar um produto que atende ambos os lados de forma eficiente”, explica o executivo.

Antes de entrar no mercado de RWA, a Rise já operava com dois outros produtos próprios: o Rise Liquid Yield (RLY), uma espécie de renda variável com exposição a pool de liquidez dólar/dólar gerido por contrato inteligente; e o Rise Fixed Income (RFI), uma renda fixa com 100% de garantia de capital próprio dos sócios, liquidez diária e isenção de imposto de renda. “A gente fez um ativo que parecia pirâmide de tão bom que era”, brinca Vitor sobre o produto, que chegou a pagar 2% ao mês.

Fundo imobiliário tokenizado

O próximo ativo de RWA no pipeline é o da Pacífico Sul, empresa especializada em compra de imóveis em leilão, reforma e revenda. O token vai funcionar como uma espécie de fundo imobiliário tokenizado.

No plano internacional, a Rise está fechando uma parceria exclusiva com a Fairbanks, uma gestora de fundo fechado de Rancho Santa Fe, na Califórnia, voltada a famílias bilionárias. Com mais de 30 anos de mercado, o fundo nunca havia sido acessível fora de seu círculo restrito. A Rise pretende listar o produto via tokenização para o mercado brasileiro. Segundo a empresa, essa será a primeira vez que o fundo estará disponível fora dos Estados Unidos.

A empresa também tem avançado em acordos com grandes instituições financeiras para oferecer sua infraestrutura de gestão automatizada — que já opera sem equipe de tecnologia própria, com processos rodando de forma autônoma.

A iniciativa surge num contexto de expansão acelerada do mercado de tokenização de ativos reais, que pode ultrapassar US$ 16 trilhões até 2030, segundo estimativas do Bank of America e do Boston Consulting Group.

O post Após pré-seed, Rise estreia em RWA com tokens de instrumentos musicais apareceu primeiro em Startups.