
A academia online que conquistou famosas como Jade Picon e Bruna Griphao agora quer dar um passo além: exportar o “borogodó” brasileiro para o mundo. Rebatizada como BOOM após nove meses de rebranding, a antiga Academia Foguete agora mira o mercado internacional com a proposta de ser uma espécie de “Peloton à brasileira”.
Assim como a empresa norte-americana, a BOOM aposta em aulas transmitidas ao vivo e em uma plataforma digital, com uma comunidade engajada. A diferença é que enquanto a Peloton nasceu atrelada ao hardware, com uma linha de esteiras e bicicletas de spinning, a brasileira surgiu a partir do conteúdo.
“A gente até tem treinos para esteira e bicicleta, mas nosso carro-chefe são os treinos com o peso do corpo, para ajudar as pessoas a saírem da inércia. A gente não quer concorrer com grandes redes de academia; nossa concorrência é com o sofá”, afirma Stelio Belchior, CEO da BOOM, em entrevista ao Startups.
Hoje presente em mais de 70 países, a BOOM ainda tem uma base de usuários majoritariamente de brasileiros que vivem fora do país. Com a ajuda da tecnologia, a empresa agora quer conquistar o público gringo, surfando a onda de popularidade da estética latina e brasileira no exterior. A companhia projeta um investimento de R$ 20 milhões nos próximos 18 meses nesses projetos.
A mudança de nome veio para ajudar: Foguete era difícil de ser pronunciado em idiomas como o inglês.
“Estou querendo levar o que o americano não tem, que é o borogodó. O brasileiro tem algo que é exportável”, afirma.
Na prática, isso se traduz em aulas ao vivo com professores carismáticos, playlists que misturam funk, sertanejo e samba e uma dinâmica altamente interativa. Alunos abrem a câmera, conversam, criam vínculos — e, muitas vezes, levam essas conexões para fora da tela.
“A gente conseguiu criar uma comunidade muito engajada, com grupos no WhatsApp e até mesmo encontros presenciais”, diz o CEO da BOOM.
Inteligência artificial para escalar
Para levar essa experiência a outros países sem perder a essência, a BOOM está apostando em inteligência artificial, especialmente na dublagem das aulas para outros idiomas.
A decisão veio depois de tentativas frustradas de adaptar os próprios professores para o inglês. “Não dava para o professor dar aula em inglês. Não fluía e perdia o borogodó”, afirma Stelio. “Com a dublagem por IA, fica perfeito.”
A ideia é manter a energia original das aulas enquanto a empresa amplia o alcance global. A plataforma já está traduzida e a expansão internacional deve começar ainda neste semestre, com foco inicial nos Estados Unidos e em países da América Latina.
O uso de tecnologia inclui também projetos de gamificação, inspirados no modelo do Duolingo. “Nosso head de Growth montou um plano de tirar a gente de academia virtualizada para produto digital. Isso passa por mudanças. Por exemplo, a gente era plataforma web, hoje é app. Estamos acelerando em gamificação, algo que o Strava faz muito bem, e investindo muito em tecnologia”, conta o executivo.
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