
A semana da OpenAI começou com a conclusão da maior rodada de sua história, uma das maiores já vistas no setor de tecnologia. A companhia captou US$ 122 bilhões, atingindo avaliação de US$ 852 bilhões, em um movimento que sinaliza sua preparação para acessar o mercado público ainda este ano. Embora o investimento represente um marco, as ações da empresa enfrentam dificuldade para encontrar compradores nos mercados secundários, à medida que investidores redirecionam seu foco para a concorrente Anthropic, que registra demanda recorde por ações.
Segundo a Bloomberg News, Ken Smythe, fundador da Next Round Capital, afirmou que cerca de seis investidores institucionais – incluindo fundos de hedge e venture capital – tentaram vender aproximadamente US$ 600 milhões em ações da OpenAI nas últimas semanas. Em anos anteriores, ofertas desse tipo seriam adquiridas rapidamente, mas atualmente não há compradores disponíveis.
Enquanto isso, bancos como Morgan Stanley e Goldman Sachs passaram a oferecer ações da OpenAI a clientes de gestão de patrimônio sem taxas de carry, enquanto a Anthropic mantém suas taxas padrão, de 15% a 20%. Adam Crawley, cofundador da Augment, observa que a diferença entre a avaliação bilionária da OpenAI e os US$ 380 bilhões da Anthropic tem levado investidores a buscar participação na concorrente antes que os preços subam.
Momento pré-IPO
A movimentação no mercado secundário contrasta com a estratégia da OpenAI de preparar o terreno para seu IPO, reforçando caixa e construindo uma narrativa de crescimento acelerado.
A recente catapção foi co-liderada por SoftBank e Andreessen Horowitz, com participação de fundos como D.E. Shaw Ventures, MGX, TPG e T. Rowe Price, além de gigantes estratégicas como Amazon, Nvidia e Microsoft, parceira de longa data da OpenAI.
Um ponto que chama atenção é a abertura para o varejo: cerca de US$ 3 bilhões vieram de investidores individuais, via canais bancários. A OpenAI também deve passar a integrar ETFs da ARK Invest, o que permite que investidores de varejo tenham exposição indireta à empresa antes do IPO.
Métricas de crescimento
A rodada também chega em um momento de gastos intensivos. A OpenAI tem ampliado investimentos em chips, data centers e contratação de talentos, pilares considerados críticos na corrida global por liderança em IA.
A empresa também expandiu sua linha de crédito rotativo para cerca de US$ 4,7 bilhões, apoiada por grandes bancos globais. O detalhe: o montante ainda não foi utilizado, indicando que a estratégia é aumentar a flexibilidade financeira para sustentar o ritmo de expansão, e não cobrir necessidades imediatas de liquidez.
Em comunicado, a OpenAI diz apostar em métricas agressivas para justificar sua avaliação de mercado. A companhia afirma gerar cerca de US$ 2 bilhões por mês em receita e crescer quatro vezes mais rápido do que empresas que marcaram as eras da internet e do mobile, como Alphabet e Meta. Do lado do produto, são mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e mais de 50 milhões de assinantes.
Apesar do avanço na receita, que ultrapassou US$ 25 bilhões anualizados no final de fevereiro de 2026, a OpenAI segue registrando perdas operacionais significativas, em grande parte devido aos altos custos com computação e infraestrutura. Projeções do The Information de 2024 estimavam uma perda de US$ 14 bilhões em 2026, chegando a US$ 44 bilhões acumulados até 2028, com previsão de lucro apenas em 2029.
Em paralelo, um novo vetor de monetização tem ganhado tração: o projeto piloto de publicidade atingiu mais de US$ 100 milhões em receita recorrente anual em menos de seis semanas. Além disso, o segmento corporativo já representa 40% da receita, ante 30% no ano passado, e deve alcançar paridade com o consumo até o fim de 2026. Esse crescimento é impulsionado por fluxos de trabalho “agênticos”, apoiados em modelos como o GPT-5.4, que ampliam o uso da IA em tarefas complexas nas empresas.
A tese do superapp
Em nota sobre a rodada de investimentos, a OpenAI passa a se definir como um “superapp de IA” – uma tentativa clara de se tornar o principal ponto de acesso para usuários e empresas interagirem com inteligência artificial. Na prática, isso significa concentrar múltiplas funções – busca, produtividade, automação, criação de conteúdo e agora publicidade – em uma única plataforma.
“Ao unificar nossas interfaces, podemos traduzir os avanços na capacidade do modelo em adoção e engajamento do usuário. Nossa escala para o consumidor se torna a porta de entrada para o uso corporativo, já que a familiaridade no dia a dia impulsiona a adoção no trabalho. Ao mesmo tempo, uma única interface nos permite aprimorar mais rapidamente, lançar produtos de forma mais coerente e capturar mais valor”, afirma a companhia.
Ao se posicionar como um superapp, a OpenAI reforça sua narrativa de crescimento e prepara o terreno para o IPO, calibrando expectativas do mercado com métricas operacionais e estimativas de receita. A rodada fortalece, portanto, o termômetro das expectativas para uma possível abertura de capital ainda este ano.
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