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Pessoa com o rosto desfocado segura um dispositivo, possivelmente uma placa gráfica, durante uma apresentação. Ela veste uma jaqueta de couro preta e está posicionada diante de uma tela que exibe o logotipo da NVIDIA e outros elementos gráficos, sugerindo um evento ou anúncio relacionado à tecnologia.

A Nvidia, líder em chips para inteligência artificial (IA), anunciou investimento de até US$ 100 bilhões na OpenAI. O acordo prevê ainda que a startup compre milhões de processadores da empresa, reforçando a interdependência entre as duas gigantes da tecnologia. A operação, revelada pela Reuters, levanta sinais de alerta em órgãos reguladores e especialistas em concorrência.

Atualmente, a Nvidia domina mais da metade do mercado global de GPUs, essenciais para treinar modelos de IA em data centers. Segundo especialistas em direito antitruste, essa posição pode gerar incentivos para que a companhia favoreça a OpenAI, oferecendo preços melhores ou prazos mais curtos de entrega em detrimento de concorrentes diretos.

Rebecca Haw Allensworth, professora de direito na Vanderbilt Law School, afirmou que o vínculo financeiro entre as empresas cria um risco concreto de práticas discriminatórias. A Nvidia negou que sua prioridade aos clientes mudará após o acordo.

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Pressão regulatória nos EUA

Embora o governo Trump adote postura pró-negócios para acelerar o crescimento da IA, autoridades do Departamento de Justiça (DoJ) ressaltam que proteger a concorrência por meio da aplicação das leis antitruste também faz parte da estratégia nacional. Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, destacou que será preciso monitorar condutas que limitem o acesso a insumos críticos da cadeia de IA, como chips e data centers.

Andre Barlow, advogado especializado em concorrência, observou que a questão central será se os órgãos reguladores verão a parceria como estímulo ao crescimento do setor ou como ameaça à inovação.

Mercado concentrado e custos elevados

A base de clientes da Nvidia já é altamente concentrada: apenas duas empresas responderam juntas por quase 40% da receita no segundo trimestre de 2025, segundo documentos financeiros. Para especialistas, isso evidencia como os altos custos de chips, energia e data centers estão restringindo a competição a poucos players capazes de sustentar investimentos bilionários.

Sarah Kreps, diretora do Tech Policy Institute da Universidade Cornell, lembrou que a corrida pela IA de ponta tornou-se restrita a empresas com fôlego financeiro sem precedentes.

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