
A AWS está testando um novo modelo para ampliar o acesso de startups a créditos da companhia por meio de parcerias com governos locais. A estratégia permite que empreendedores tenham acesso à infraestrutura de computação em nuvem da empresa para desenvolver produtos e serviços baseados em inteligência artificial (IA).
A primeira iniciativa nesse formato foi anunciada em agosto pelo governo do Rio de Janeiro. O acordo prevê R$ 20,5 milhões em créditos para startups por meio do programa AWS Activate e é operacionalizado em articulação com o Rio.IA, hub de inteligência artificial da cidade que conecta governo, universidades e startups.
Para a AWS, porém, o Rio é apenas o primeiro teste. A estratégia abre uma nova frente para a distribuição de créditos a empresas nascentes. A big tech já trabalha com investidores e fundos de venture capital para oferecer esse benefício a startups de seus portfólios. Agora, a companhia testa os governos locais como um canal adicional para chegar a empreendedores.
Por trás da expansão de canais está uma lógica de negócio que o próprio executivo descreve como circular. “Nossos incentivos estão muito alinhados: se a startup cresce, ela vai bem e a AWS também cresce com ela”, afirma Álvaro Echeverria, diretor de Startups Latam da AWS, em entrevista ao Startups.
Governo como ponte
Na avaliação de Álvaro, a aproximação entre poder público, academia e startups ganhou relevância com o avanço da inteligência artificial. Segundo o executivo, muitos fundadores de empresas de IA têm formação científica, criando uma intersecção entre pesquisa acadêmica, setor público e empreendedorismo.
Para Álvaro, esse acesso está no centro da missão da companhia junto a startups: permitir que empreendedores tenham acesso à mesma infraestrutura tecnológica utilizada por empresas maiores. “Uma pessoa em sua garagem, hoje, tendo uma ideia e acesso aos créditos da Amazon, pode começar a construir na mesma plataforma onde a Hotmart tem 10 mil agentes de IA funcionando em produção. É exatamente a mesma tecnologia”, diz.
Modelo ainda em avaliação
A possibilidade de levar o formato a outras cidades ainda depende dos resultados obtidos no Rio. Álvaro não cita municípios em negociação nem estabelece um prazo para uma eventual expansão.
“Vamos experimentar, entender e aprender com essa primeira iniciativa e, conforme vejamos os resultados, acredito que vamos seguir buscando parcerias semelhantes”, afirma.
A parceria com governos locais se soma a outras iniciativas da AWS voltadas ao ecossistema de startups, que incluem créditos para empresas em estágio inicial, consultoria técnica para negócios em fases mais avançadas e eventos para aproximar empreendedores de potenciais clientes.
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