
Durante o Oracle IA World, que acontece nesta semana em Las Vegas, nos Estados Unidos, uma startup brasileira subiu ao palco principal do evento para mostrar como pretende revolucionar o tratamento de infecções bacterianas com o uso de inteligência artificial (IA).
Ao lado de Mike Sicilia, co-CEO da Oracle, Paulo Perez, CEO da Biofy Technologies, compartilhou detalhes sobre a trajetória da companhia. Fundada há três anos a partir de um spin-off da Laudo Laboratórios, de Uberlândia (MG), a Biofy desenvolve modelos proprietários que já reduzem significativamente o tempo necessário para o diagnóstico de bactérias.
“Na saúde, tempo é vida. O processo convencional leva de três a cinco dias; usando IA, conseguimos fazer isso em cerca de quatro horas”, contou Perez. A empresa atua extraindo o DNA do patógeno e transformando as sequências genéticas em representações vetoriais. A partir daí, as informações são comparadas à base proprietária da Biofy, agilizando a identificação da espécie e indicando qual antibiótico é mais eficaz para combatê-la.
As soluções são executadas dentro da Oracle Cloud Infrastructure (OCI), incluindo o uso da OCI Generative AI e do Oracle AI Vector Search para identificar os padrões complexos necessários aos diagnósticos.
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A Biofy vem ampliando sua atuação por meio de instituições parceiras. O principal projeto é desenvolvido em colaboração com o Instituto Dante Pazzanese, centro de referência em São Paulo, que tem contribuído para a validação do produto e o avanço das pesquisas da empresa. Há também iniciativas em parceria com laboratórios privados e outras instituições hospitalares.
Segundo Perez, algumas operadoras de saúde devem começar a incorporar o exame da Biofy como alternativa ao antibiograma. O CEO afirma que o preço do produto ainda é cerca de cinco vezes superior ao de um antibiograma tradicional, mas apresenta um índice de identificação bacteriana significativamente maior.
Além do diagnóstico, a empresa afirma estar acelerando a descoberta de moléculas por meio de simulações em um “gêmeo digital” do organismo humano. “Modelamos a forma das moléculas e prevemos onde elas podem causar toxicidade – rins ou cérebro, por exemplo – sem precisar expor pessoas”, explica Perez.
O pipeline inclui peptídeos antimicrobianos: “Esperamos ter os primeiros peptídeos em cerca de um ano”, diz o CEO. Para compostos mais complexos, a previsão é obter candidatos prontos para testes laboratoriais em dois a três anos. Em paralelo, o time iniciou o desenvolvimento de um “Large Peptidic Model”, um modelo generativo voltado a sequências de nucleotídeos e peptídeos.
*O jornalista viajou a convite da Oracle
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