
A Bling, plataforma voltada para pequenas e médias empresas que possuem comércio online, está ampliando sua atuação para ir além do software de ERP (sigla em inglês para Enterprise Resource Planning). O objetivo da companhia é se tornar uma espécie de one stop shop para esses varejistas, oferecendo uma solução de ponta a ponta, sem a necessidade de integração com terceiros.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da LWSA (antiga Locaweb) para fortalecer sua atuação no mercado de software para e-commerce e sustentar o crescimento da companhia. A Bling foi comprada pela Locaweb em 2021, em uma operação de R$ 524 milhões.
Nos últimos 12 meses encerrados em 31 de março de 2026, o grupo investiu R$ 93,6 milhões em soluções voltadas para comércio eletrônico.
Historicamente conhecida por seu ERP para pequenas e médias empresas, a Bling agora passa a incorporar funcionalidades que abrangem praticamente toda a operação de um lojista. A plataforma reúne gestão de vendas, loja virtual própria, logística, serviços financeiros, marketing, inteligência artificial e recursos de automação em um único ambiente.
“Estamos passando de um posicionamento de ERP para uma plataforma completa de negócios. Nossa ambição é acelerar a jornada da pequena e média empresa no e-commerce, reduzindo a quantidade de ferramentas que ela precisa aprender e operar”, afirma Marcelo Navarini, diretor da Bling, em entrevista ao Startups.
Segundo o executivo, o perfil do empreendedor digital mudou nos últimos anos. Hoje, é comum que uma mesma empresa venda simultaneamente em loja física, e-commerce próprio, marketplaces, redes sociais como Instagram e TikTok Shop, além de canais como WhatsApp.
“Acompanhamos essa evolução do mercado. O empreendedor deixou de vender apenas em um canal e passou a atuar de forma multicanal. Queremos que ele consiga administrar toda essa operação diretamente dentro do Bling”, diz o executivo.
Com a mudança, o lojista poderá criar e administrar sua loja virtual sem recorrer a plataformas externas, além de utilizar soluções de logística e serviços financeiros integrados à plataforma. Embora continue sendo possível contratar fornecedores de terceiros, a proposta é que o empreendedor consiga operar toda a cadeia utilizando apenas os serviços da Bling.
“Se ele quiser fazer tudo dentro da nossa plataforma, consegue. Mas continuamos oferecendo abertura para integrações com outras soluções”, afirma Marcelo.
Além da expansão das funcionalidades operacionais, a empresa também passa a integrar de forma mais transparente os serviços financeiros da LWSA, incluindo conta PJ e outras soluções voltadas à gestão financeira dos pequenos negócios.
IA para os lojistas
A inteligência artificial representa a terceira camada da estratégia da Bling. A empresa está ampliando a oferta de agentes de IA capazes de automatizar tarefas operacionais do comércio eletrônico, como cadastro de produtos, criação de anúncios, edição de imagens e adaptação de conteúdos para diferentes marketplaces.
Segundo a companhia, os recursos utilizam modelos de IA de terceiros combinados com uma camada proprietária de inteligência desenvolvida pela própria empresa.
A plataforma também passa a oferecer um assistente conversacional baseado em IA, com experiência semelhante à de ferramentas de chat, capaz de auxiliar o empreendedor em diferentes atividades da operação.
Os resultados iniciais já aparecem nos indicadores internos da companhia. De acordo com a LWSA, o uso da automação permitiu que 30% mais lojas entrassem em operação nos primeiros 30 dias após a contratação da plataforma. Além disso, o tempo médio até a realização da primeira venda foi reduzido em 15%.
Um dos principais ganhos está na adaptação de produtos aos padrões exigidos por diferentes marketplaces.
“Cada plataforma tem formatos próprios para imagens, descrições e cadastros. Os agentes de IA reduzem muito o trabalho manual, padronizam esses processos e aceleram atividades críticas para o lojista”, explica Marcelo.
Mercado em expansão
A aposta ocorre em um momento de crescimento do comércio eletrônico brasileiro. Segundo a companhia, o setor avançou cerca de 14% nos últimos 12 meses, movimento impulsionado justamente pela expansão das vendas multicanais.
Hoje, as plataformas de e-commerce da LWSA — que incluem Bling, Tray e Bagy — atendem cerca de 211 mil lojistas. Em 2025, esse ecossistema movimentou R$ 79 bilhões em GMV (Gross Merchandise Volume). Apenas no primeiro trimestre deste ano, o volume foi de R$ 20,3 bilhões.
De acordo com a empresa, suas soluções concentram aproximadamente 21% de todo o volume transacionado pelo comércio eletrônico brasileiro.
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