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Fábio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil, fala de blockchain. Imagem: Divulgação

O blockchain, tecnologia que por anos viveu entre promessas e experimentos, finalmente encontrou seu lugar no mundo corporativo brasileiro. Segundo o CIO Report Brasil 2024, pesquisa da Logicalis realizada em parceria com a Vanson Bourne, mais da metade das empresas nacionais (58%) já conseguiu obter retorno sobre o investimento (ROI) em projetos de blockchain nos últimos 12 meses – um dado que surpreende até mesmo especialistas do setor.

“É um dado surpreendente para quem ainda associa blockchain exclusivamente a experimentos ou ao mercado financeiro”, admite Fábio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil. Para ele, o número revela que “o ‘hype’ inicial se transformou em aplicações reais e mensuráveis”.

A pesquisa, que ouviu 100 executivos brasileiros de empresas com mais de 250 funcionários, mostra um cenário de maturidade tecnológica inédito. Das empresas ouvidas, 89% investiram na tecnologia – e entre aquelas que ainda não viram retorno (31%), a confiança permanece alta.

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Aposta no futuro, mesmo sem retorno imediato

O que chama atenção é a persistência dos investimentos: 77% das empresas planejam manter ou aumentar seus orçamentos para blockchain nos próximos 12 meses, mesmo entre aquelas que ainda não colheram os frutos financeiros.

“Mostra que, mesmo sem retorno imediato, há uma convicção de valor estratégico no longo prazo”, analisa Hashimoto. “O risco de ficar para trás passou a ser percebido como maior do que o risco de investir.”

Essa confiança tem fundamento: as empresas brasileiras são otimistas quanto ao tempo de retorno. Impressionantes 68% esperam ver ROI em até seis meses após o investimento, sendo que 29% acreditam que isso acontecerá em apenas três meses.

Um caminho em construção

Os números revelam, porém, que o blockchain ainda é visto mais como ferramenta de eficiência do que como motor de inovação. A redução de custos lidera as expectativas (47%), seguida pelo aumento da segurança (43%) e da eficiência operacional (41%). Apenas 39% das empresas citam “novas fontes de receita” como resultado esperado.

“É natural: primeiro as empresas querem arrumar a casa, padronizar processos e garantir compliance. Só depois partem para monetizar novos serviços ou modelos”, explica o CTO da Logicalis.

Mas os exemplos de inovação já começam a aparecer. No agronegócio e na logística, plataformas de rastreabilidade e certificação baseadas em blockchain se transformaram em produtos vendidos a parceiros. Bancos digitais oferecem serviços de custódia, enquanto iniciativas de tokenização de ativos ganham tração no mercado nacional.

Setores maduros puxam a transformação

Os dados mostram que TI e Telecom (20% da amostra), Energia e Utilities (20%) e Serviços (21%) lideram a adoção. “TI e Telecom têm competência técnica para superar barreiras de adoção, enquanto Energia, óleo e gás dependem muito de cadeias de suprimento complexas e precisam de confiabilidade e rastreabilidade”, contextualiza Hashimoto.

O especialista identifica um “cenário misto”, com casos maduros em produção convivendo com iniciativas experimentais. “O padrão de maturidade é maior em usos voltados a auditoria, rastreabilidade, automação de contratos e integração de cadeias de valor.”

O fim da era das promessas

O que explica essa transformação súbita de uma tecnologia que parecia fadada ao eterno futuro? Hashimoto aponta três fatores decisivos: o avanço das plataformas, que reduziram barreiras técnicas e custos; o ganho de maturidade dos times de TI em mapear casos de uso viáveis; e a pressão crescente por digitalização segura em setores críticos.

“Não é um crescimento ‘espontâneo’, mas o resultado de ciclos de prova de conceito que se consolidaram em projetos produtivos”, resume.

Com apenas 4% das empresas sem planos futuros para blockchain, a tecnologia parece ter finalmente saído do laboratório para ocupar seu lugar na estratégia corporativa brasileira. Resta saber se os próximos capítulos confirmarão essa mudança de patamar – transformando blockchain de promessa em realidade consolidada.

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