
A Botmaker está de olho nas grandes empresas. Depois de crescer de forma orgânica por quase uma década, a startup de agentes de inteligência artificial acelerou a estratégia comercial no final de 2024 e agora mira um marco de US$ 100 milhões em faturamento anual, o que deve ocorrer “nos próximos quarters”.
Em entrevista ao Startups, Erick Buzzi, country manager da Botmaker no Brasil, defende que a IA conversacional é o futuro (não tão distante assim) dos negócios, e que está mudando a forma como os seres humanos se comunicam com as máquinas.
“Antes, as pessoas tinham que entender a linguagem das máquinas. Se quisessem encontrar alguma informação em uma página de uma empresa, era o humano quem precisava entrar naquele labirinto e caçar onde estava aquilo que ele buscava. A partir de agora, o ser humano dá o tom”, explica o executivo.
A empresa se define como “argentino-brasileira”: foi fundada em 2016 em Buenos Aires por dois brasileiros e dois argentinos. Alejandro Zuzenberg, CEO, e Hernán Liendo, CTO, são os co-fundadores argentinos que seguem à frente da operação — ambos ex-Google, com passagens também por Facebook. Do lado brasileiro, Alexandre Hohagen e Julio Zaguini, também ex-executivos do Google, hoje atuam como conselheiros.
O primeiro cliente foi uma casa de empanadas na Argentina. Naquele momento, em 2016, o WhatsApp ainda não existia como canal de negócios, e os primeiros bots rodavam no Facebook Messenger. A empresa chegou ao Brasil em 2018.
Hoje a Botmaker se posiciona como plataforma para desenvolvimento de agentes de IA em três formatos: chatbots (texto), callbots (voz, inclusive via WhatsApp Calling) e mailbots (e-mail). A solução está integrada a mais de 18 canais conversacionais, como WhatsApp, Instagram, Telegram, TikTok, YouTube e Mercado Livre, entre outros, e se conecta a sistemas como SAP, Salesforce, HubSpot e Dynamics.
Um dos casos de uso citados por Erick é o de sellers do Mercado Livre que usam agentes da Botmaker para responder dúvidas de clientes de forma autônoma, sem precisar manter uma equipe dedicada de atendimento.
Apesar da atuação ampla, é nas conversas por voz que está a menina dos olhos da empresa. Para reforçar o argumento, Erick cita uma pesquisa da BCG com a Meta, divulgada recentemente, que mostra que 77% das pessoas preferem que a interação com marcas aconteça por meio de conversas.
“Estamos tentando despertar os empresários para esse mundo de conversas. No futuro, as empresas vão precisar de um cérebro conversacional, pronto para interpretar e executar de forma autônoma”, diz o executivo, que aconselha: “Pare de tratar o conversacional como silo e trate como espinha dorsal”.
Go-to-market mais agressivo
A Botmaker fez uma única rodada de investimento, em 2019, com a Valor Capital, descrita como smart money, ou seja, mais pela rede e conhecimento de mercado do que pela necessidade de capital. “A gente tinha caixa, a gente já tinha a cabeça de gerar caixa desde o dia um”, diz o country manager.
O foco, no momento, está em atingir a meta de faturamento de US$ 100 milhões, que a empresa vem buscando desde 2022, e consolidar sua posição na região. Para chegar lá, a Botmaker aposta em duas frentes. A primeira é um go-to-market mais agressivo junto às grandes corporações, segmento que passou a atacar de forma estruturada a partir do final de 2024.
“A gente começou a atacar de forma muito mais forte o mercado das Big Enterprises. Nós montamos uma estrutura de vendas bem maior e estamos indo em cima das maiores empresas do Brasil, nos principais segmentos”, afirma Erick.
A segunda é a construção de um ecossistema de parceiros: ISVs (independent software vendors, que embarcam a tecnologia da Botmaker em suas próprias soluções) e SIs (system integrators, responsáveis pela implementação e sustentação dos projetos nos clientes).
Os principais setores atendidos são serviços financeiros, telecom, varejo e saúde. A sede global fica em Miami, mas Buenos Aires e São Paulo concentram os maiores times. A empresa atende clientes em mais de 40 países.
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